Texto e fotos por Yuri Ravitz
Modelo cedido pela Honda Automóveis do Brasil
Comum a ambos os grupos é a diversidade de poder aquisitivo de seus membros; atualmente, um consumidor do tipo que necessita e tem uma condição financeira melhor prefere quase sempre um "altinho", seja um SUV ou crossover ou algo que pareça um desses dois.
Mecânica
Modelo cedido pela Honda Automóveis do Brasil
Podemos dividir os compradores de carros em duas categorias básicas: os que adoram e os que necessitam. O primeiro grupo sente prazer em dirigir e sentir o carro, e pauta suas compras quase sempre pela emoção, não vendo muito sentido em desembolsar uma fortuna por um carro 0km. Já o segundo (que é maioria esmagadora no mercado brasileiro) vê no automóvel de passeio um meio de transporte mais confortável e seguro que o público, um símbolo de independência e facilitador de vidas; se levar e trouxer com eficiência já está bom.
Comum a ambos os grupos é a diversidade de poder aquisitivo de seus membros; atualmente, um consumidor do tipo que necessita e tem uma condição financeira melhor prefere quase sempre um "altinho", seja um SUV ou crossover ou algo que pareça um desses dois.
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| Nosso veículo de teste e o Cristo Redentor. Os testes são executados sempre no Rio de Janeiro capital, sede do Volta Rápida |
De "altinhos" o nosso mercado está repleto, e nós tivemos a oportunidade de testar um dos mais recentes da categoria: o Honda WR-V, modelo que se posiciona diretamente abaixo do HR-V e que chega para preencher o espaço deixado pelo esquecido Fit Twist com apelo aventureiro. O japonês foi lançado em Março deste ano e é, na prática, um hatchback que usou do visual robusto para embarcar na onda do momento, o que deu muito certo: a Honda já superou as expectativas de vendas para ele. Chegando em apenas duas versões que dividem o mesmo (e único) conjunto mecânico, nós recebemos a topo de linha EXL que hoje custa R$83.400 e rodamos mais de 1000km durante nossa semana de testes.
Visual
O WR-V divide opiniões, mas o fato é que a Honda foi certeira nos toques visuais do modelo; elementos consagrados como os arcos dos para-lamas com acabamento preto fosco, barras longitudinais prateadas no teto, lanternas com contorno escurecido, rodas de 16 polegadas com face diamantada e suspensão ligeiramente mais alta estão ali para fazer o possível comprador sentir que está levando um SUV para casa. A dianteira ainda traz luzes diurnas em LEDs de série conjugadas nos faróis principais, enquanto a traseira possui lanternas em "L" no mesmo estilo do renovado CR-V (que ainda não veio para o Brasil).
A Honda disponibiliza seis cores para o WR-V, sendo uma sólida, duas metálicas e três perolizadas, todas sem custo; a do nosso veículo de teste era a Vermelho Mercúrio Perolizado.
A Honda disponibiliza seis cores para o WR-V, sendo uma sólida, duas metálicas e três perolizadas, todas sem custo; a do nosso veículo de teste era a Vermelho Mercúrio Perolizado.
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| Traseira foi o ponto mais criticado no WR-V; lanternas que lembram as do atual Fit e configuração visual não agradou |
Mecânica
Há somente uma única dupla de motor e câmbio disponível para o WR-V: o 1.5 16v i-VTEC flex naturalmente aspirado de 116cv e 15,3kgfm de torque que trabalha em conjunto com um câmbio CVT do tipo tradicional (sem simulação de marchas, apelidado carinhosamente por nós de "CVT raiz") com modos S (de Sport, que deixa o giro do motor mais alto para melhorar o desempenho) e L (de Low, ou reduzida, ideal para subidas e descidas muito íngremes). Com isso, ele faz de 0 a 100km/h em 12,5 segundos e atinge máxima de 168km/h, números que estão longe de ser empolgantes, mas que se mostram suficientes para o uso urbano sem cansar ou deixar o motorista na mão caso precise sair de alguma situação ruim com rapidez.
Aqui é onde o WR-V mostra um de seus maiores trunfos: a economia de combustível. Durante nosso teste de percurso misto com maior parte em trecho urbano, o computador de bordo não marcou menos do que 14,5km/l, se aproximando dos 16km/l em circuitos rodoviários. Falando em trecho urbano, a suspensão (independente na dianteira, eixo de torção na traseira) foi recalibrada somente para ele e mostrou eficiência ao absorver os impactos das irregularidades do nosso asfalto "lunar".
Aqui é onde o WR-V mostra um de seus maiores trunfos: a economia de combustível. Durante nosso teste de percurso misto com maior parte em trecho urbano, o computador de bordo não marcou menos do que 14,5km/l, se aproximando dos 16km/l em circuitos rodoviários. Falando em trecho urbano, a suspensão (independente na dianteira, eixo de torção na traseira) foi recalibrada somente para ele e mostrou eficiência ao absorver os impactos das irregularidades do nosso asfalto "lunar".
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| Subida da serra de Nova Friburgo; mesmo sendo mais alto que um Fit por exemplo, WR-V não se mostrou inseguro em curvas |
Tecnologia
Outro ponto positivo do WR-V é o de não ter opcionais. O modelo vem de série com trio elétrico (vidros, travas e ajustes dos retrovisores), ar condicionado, faróis de neblina, computador de bordo, seis airbags (dois dianteiros, dois laterais e dois de cortina), sistema multimídia com GPS/Bluetooth/USB/Aux/câmera de ré e tela touchscreen com controle por gestos, quatro alto-falantes, limpador traseiro, repetidores de seta em LED nos retrovisores, bancos ULTRa Seat com ajuste de altura para o do motorista, direção elétrica, volante multifuncional com ajuste de altura e profundidade, piloto automático Cruise Control e ISOFIX nos bancos traseiros com cintos de três pontos e encosto de cabeça para todos os ocupantes.
A lista é satisfatória, mas deixa de fora alguns mimos que fazem falta em um modelo de mais de 80 mil reais (como luzes de cortesia nos quebra-sóis e porta-luvas, além de vidros com função um-toque, presente apenas no do motorista), sendo o grande pecado a ausência de controles eletrônicos de estabilidade e tração, itens que já podem ser encontrados em modelos bem mais baratos no mercado e que comprometem a segurança ativa do WR-V.
A lista é satisfatória, mas deixa de fora alguns mimos que fazem falta em um modelo de mais de 80 mil reais (como luzes de cortesia nos quebra-sóis e porta-luvas, além de vidros com função um-toque, presente apenas no do motorista), sendo o grande pecado a ausência de controles eletrônicos de estabilidade e tração, itens que já podem ser encontrados em modelos bem mais baratos no mercado e que comprometem a segurança ativa do WR-V.
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| Familiarizado com o interior? Não se espante; é o mesmo do Fit |
Como Anda
A vida com o WR-V promete ser muito tranquila. Além do peso do nome Honda (que para muitos significa "zero manutenção, o que na prática nem sempre acontece), a preferência da marca pelo câmbio CVT tradicional não foi à toa. Diferente do atual Civic que utiliza um CVT que simula sete marchas e tem tradição como um carro de condução mais divertida, o WR-V quer oferecer paz e conforto acima de tudo, o que corre o grande risco de se transformar em tédio com o passar do tempo. Pisando com leveza no acelerador, o modelo se conduz de forma contínua e direta sempre por volta dos 1800 a 2000rpm, e a serenidade na cabine aliada a falta de troca de marchas remete a um carro elétrico mesmo em velocidades mais altas. Entre 80 a 110km/h, o conta-giros segue na faixa dos 1800rpm, fator decisivo para o baixo consumo mas que condena o desempenho. O fato da transmissão não utilizar marchas sequer de forma simulada deixa as retomadas e reduzidas lentas, dificultando na hora de uma ultrapassagem por exemplo; aqui a dica é descer a alavanca de câmbio para o S, a fim de elevar o giro do motor de forma mais imediata. Para completar, a direção elétrica é suave como os pedais (que demandam certo tempo até se adaptar) e ajuda significativamente na hora de estacionar, sem ser leve demais durante a condução normal.
Além de oferecer tranquilidade, o WR-V quer ser um carro para a família e deixa isso claro através do sistema de bancos modulares ULTRa Seat que permitem diversas combinações para transporte de objetos, além do generoso espaço para as pernas, especialmente no banco traseiro.
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| A bela tonalidade Vermelho Mercúrio combinou com o cinza e verde da rodovia |
Vale a Pena?
Se faz questão de carros 0km e procura um modelo espaçoso, econômico e com estilo atual, vá em frente; o WR-V atenderá com louvor, pois apesar das falhas graves como a falta dos controles de tração/estabilidade e de freios a disco nas quatro rodas, o japonês agradou e se saiu bem no teste de um modo geral. Se prefere um pacote tecnológico mais interessante e melhor desempenho, há opções bem mais atraentes, pois tanta calmaria acaba por não permitir que se sinta o prazer ao dirigir. No mais, é um Honda, o que no mercado brasileiro representa confiabilidade, facilidade de revenda e baixa desvalorização.
Não deixe de conferir o teste em vídeo no nosso canal no YouTube através do link:
Mais fotos do WR-V EXL (clique para ampliar):










