Texto e fotos por Yuri Ravitz
Modelo cedido por Costallat Automobile
Modelo cedido por Costallat Automobile
Quando você decide comprar um carro novo, normalmente há uma necessidade ou um gosto que se sobrepõe aos demais. Em suma: há um objetivo primário, afinal, paga-se caro e ninguém está interessado em rasgar dinheiro. Felizmente há algumas opções que conseguem conciliar tudo de melhor que existe, e a melhor parte é que elas já não precisam, obrigatoriamente, causar um rombo no seu bolso. Dá para cumprir sua meta sem gastar uma fortuna, e ainda por cima levar o bônus de ter um veículo que entrega muito mais do que você precisava.
A primeira geração do Audi A7 Sportback é um bom exemplar desse grupo. Nascido oficialmente em meados de 2010, chegou aqui pouco tempo depois (já em 2011) e era, essencialmente, uma versão mais atraente do sisudo A6, tal qual acontece entre a dupla A4 e A5. Nosso carro de teste é ano-modelo 2012 e foi cedido pela Costallat Automobile, nossa parceira oficial; pode ser seu por R$139.990.
Confronto não tão direto
O Audi A7 nasceu com uma missão clara: enfrentar o bem-sucedido Mercedes-Benz CLS (que nasceu bem antes, em 2004) e o BMW Série 5 GT na categoria dos "coupés de quatro-portas", só que com uma proposta mais esportiva do que luxuosa. Enquanto o CLS tem mais jeito de sedan e o Série 5 GT era o patinho feio do trio, o A7 queria chocar populares com sua linha de teto que escorria até a extremidade traseira, tal qual nos coupés tradicionais. Deu muito certo: o A7 atrai olhares por onde passa, parecendo ser muito mais caro do que é.
Além da silhueta exótica, o A7 chama atenção por outros detalhes como as grandes rodas aro 19 de fábrica, a grade dianteira com filetes cromados, os faróis com ar de R8 e o aerofólio eletrônico na traseira. A marca bem que tentou oferecê-lo com foco na discrição (das 11 cores do catálogo original, apenas uma era chamativa, de nome Vermelho Granada), mas não teve como. Seus 4,66m de comprimento e quase 2m de largura, combinados com os elementos característicos, o tornam impossível de passar despercebido.
Vida boa
Voltando ao ano de 2011, quando o A7 chegou aqui, seu preço base era de R$323.900 e a Audi oferecia três opcionais: o pacote Advanced (R$20.000) que acrescentava faróis Full LED, piloto automático adaptativo, visão noturna, Head-Up Display, entre outros, além dos sistemas de som da Bose (R$8.000) ou da Bang & Olufsen (R$36.000). Nosso exemplar não traz nenhum deles, mas isso não significa que seja mal-equipado; lembre-se que ainda é um carro que custava mais de 300 mil reais.
De série ele vem com um vasto arsenal; faróis bi-xenon adaptativos, bancos dianteiros elétricos com memória e múltiplos ajustes lombares, teto solar elétrico, ar condicionado de duas zonas, volante multifuncional com ajuste elétrico de altura e profundidade, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros com múltiplas câmeras (traseira, dianteira e de quinas), multimídia completa, retrovisores fotocrômicos, Park Assist e muito mais. Além do preço, outro motivo da farta lista de equipamentos é a hierarquia, pois o A7 só fica um degrau abaixo do A8, que é o topo-de-linha da montadora.
Bipolaridade bem-vinda
O A7 chegou para nós em uma única configuração mecânica; um 3.0 V6 TFSI associado a uma caixa automatizada S tronic de dupla embreagem com sete velocidades e tração integral quattro. Esse conjunto gera 300cv a 5.250rpm e 44,9kgfm a 2.900rpm, números capazes de levar o alemão de 0 a 100km/h em 5,6 segundos e atingir máxima de 250km/h (limitada eletronicamente). Os quatro freios usam discos ventilados e a suspensão é independente tanto na dianteira quanto na traseira.
Um fato curioso é que, apesar do 3.0 V6 usar a nomenclatura "TFSI", não há uma turbina ali e sim um supercharger (compressor). Para quem não sabe, TFSI significa Turbo Fuel Stratified Injection, sigla que faz menção ao fato do motor ser turbinado e utilizar injeção estratificada de combustível. Não existe (ou não conseguimos descobrir) uma razão específica para a Audi ter mantido o nome e, na verdade, nem há tanto problema assim, uma vez que, de qualquer maneira, estamos falando de sistemas de sobrealimentação por indução forçada.
Misto de sentimentos
O A7 é um daqueles carros que mima o proprietário de todas as formas. Para entrar, basta segurar a maçaneta que as portas são destravadas (se a chave estiver por perto); após se acomodar no banco, o volante se ajustará eletronicamente na última posição deixada assim que a partida for dada pelo botão à sua direita. Do topo do console central, surge a tela do multimídia que deve ser operada pelos atalhos rápidos próximos à alavanca do câmbio, pois não é sensível ao toque; por falar em câmbio, basta colocar no D e seguir adiante. Pelo Audi drive select, o motorista pode escolher quatro formas de guiar: comfort, auto, dynamic e individual, cada qual conferindo personalidade própria ao alemão de luxo.
O mais intrigante no A7 é a forma como anda. Apesar dos aros 19 e da suspensão naturalmente baixa, prevalece o conforto ao rodar mesmo em pisos ruins, e esse conforto também se deve ao câmbio que mantém o motor sempre abaixo dos 1.500rpm. Se pisar fundo, o coupé responde prontamente, avançando com rapidez e firmeza; além da tração quattro ser referência no segmento, a transmissão de dupla embreagem se encarrega das trocas imperceptíveis e esconde os pesados 1.770kg.
Vale a pena?
O A7 se gaba de ocupar uma posição onde há pouco espaço para críticas, pois o valor elevado do carro o obriga a ser quase perfeito. É exatamente por conta disso que você pode pensar em ter um, mas deve ficar atento a um detalhe elementar: por mais que esteja barato hoje, lembre-se que continua sendo um carro pensado para custar mais de 300 mil reais. Não espere que a manutenção mais séria (se necessária) seja uma pechincha, especialmente porque há bastante eletrônica embarcada; você pode se surpreender negativa ou, quem sabe, positivamente.
A única certeza ao colocar um A7 na garagem, mesmo já não sendo tão atual, é a de ter um carro que manteve intacto seu poder de sedução tanto com quem olha quanto com quem anda. Dono de um rodar sublime, ele foi pensado para oferecer a agradável experiência de um legítimo alemão premium.
Ficha técnica
A única certeza ao colocar um A7 na garagem, mesmo já não sendo tão atual, é a de ter um carro que manteve intacto seu poder de sedução tanto com quem olha quanto com quem anda. Dono de um rodar sublime, ele foi pensado para oferecer a agradável experiência de um legítimo alemão premium.
Ficha técnica
Motor: 3.0, 6 cilindros em V, 24 válvulas, supercharged
Potência: 300cv a 5.250rpm
Torque: 44,9kgfm a 2.900rpm
Transmissão: automatizada de dupla embreagem com sete marchas
Tração: integral
Suspensão: independente nas quatro rodas
Freios: discos ventilados nas quatro rodas
Direção: hidráulica
Pneus: 255/40 R19
Comprimento: 4,66m
Largura: 1,91m
Entre-eixos: 2,91m
Altura: 1,42m
Peso: 1.770kg
Porta-malas: 535l
Tanque: 65l
0 a 100km/h: 5,6 segundos
Velocidade máxima: 250km/h (limitada eletronicamente)
Velocidade máxima: 250km/h (limitada eletronicamente)






