Fiat Argo Drive 2026 mostra as evoluções do hatch compacto após quase 10 anos
Às vésperas de ser completamente reformulado, como o veterano Argo se posiciona no mercado hoje? Nós debatemos isso em mais um teste completo.
![]() |
| Branco Banchisa é uma cor oferecida por R$990 à parte. |
Nove anos de Fiat Argo! Se sentiu velho(a), né? Pois é... O produto que substituiu outros três em uma só jogada está prestes a ser reformulado por completo depois de quase dez anos de estrada; Palio, Punto e Bravo engatinharam pra que ele pudesse andar, mas ele decidiu correr. Deu certo e o público gostou, mas como ele se posiciona nos dias de hoje?
Nós pegamos um exemplar 2026 pra descobrir, mas esse não é nosso primeiro contato prolongado com um Argo. O primeiro de verdade foi em 2019 quando avaliamos a então nova variante Trekking e, dois anos depois, a estilosa S-Design, ambas com o mesmo conjunto mecânico. Quem veio dessa vez foi a Drive, a 2ª mais barata e equipada com motor 1.0.
![]() |
| As outras opções de cores são Preto Vulcano, Vermelho Montecarlo, Prata Bari e Cinza Silverstone. |
Retoques aqui, retoques ali
O Argo recebeu diversas atualizações ao longo do tempo e chega a 2026 com três versões e cinco configurações. Ele traz as mesmas alterações estéticas introduzidas na linha 2023 como o novo para-choque frontal e as novas opções de calotas ou rodas dependendo da variante escolhida. Você confere os valores de cada configuração no parágrafo a seguir.
A versão de entrada não tem nome, sendo chamada apenas de 1.0 Flex, e custa R$92.990. Logo acima temos a Drive com motor 1.0 e câmbio manual, nossa testada, por R$96.790 ou com motor 1.3 e caixa CVT por R$107.790. Por fim encontra-se a Trekking sempre com bloco 1.3, mas a manual sai por R$102.790 enquanto a automática CVT custa R$110.790.
![]() |
| Motor Firefly/GSE é um velho conhecido do mercado brasileiro. |
Um-ponto-zero é isso, né?
O motor que equipa as derivações mais baratas do Argo hoje é o conhecido 1.0 Firefly/GSE que conta com três cilindros em linha e aspiração natural, capaz de gerar até 75cv e 10,7kgfm; é o menos potente dentre os um-ponto-zero aspirados do mercado hoje, mas é o que entrega sua potência máxima mais cedo do que os outros. Com o torque não é muito diferente.
Os 10,7kgfm são ligeiramente superiores aos dos rivais (apenas por décimos) e aparecem mais cedo do que nos motores da Chevrolet e Hyundai, por exemplo; só o da Volkswagen é que entrega seu pico em uma faixa ainda menor de rotações. Já os 1.083kg do Argo jogam contra, pois fazem com que ele seja o mais pesado do segmento. Já sabe, né? Mais peso, mais esforço.
Ainda assim, mesmo com o peso total jogando contra, o Argo consegue ser um carro bastante econômico quando conduzido de forma comedida. O motor dá conta em perímetro urbano, porém a coisa muda na estrada: qualquer mínima necessidade de força obriga a redução de uma ou duas marchas e o pé afundado no acelerador. 1.0 aspirado é isso, não tem jeito.
![]() |
| Interior é bastante simples, mas ainda agrada no primeiro contato. |
Melhorou, pero no mucho
O Argo de 2026 evoluiu (pouco) em termos tecnológicos quando comparado ao modelo de lançamento lá em 2017. Agora ele traz os itens mais básicos de segurança como recursos de série - controles de tração e estabilidade, airbags duplos frontais e luzes diurnas. O ruim é que não há airbags além dos frontais sequer como opcionais, muito menos qualquer recurso ADAS.
A lista de equipamentos engloba: computador de bordo com tela de 3,5", central multimídia de 7" com espelhamento sem fio para smartphones, calotas aro 15, chave canivete, ajuste de altura do assento do motorista e do volante, monitor de pressão dos pneus, cintos de três pontos e encosto de cabeça pra todos, luzes de posição em LED, entre outros.
![]() |
| Bancos em tecido são confortáveis. Espaço interno é ok, sem sobras ou faltas. |
Cinquenta por um
Lá em 2017, no lançamento do Argo, a versão Drive com motor 1.0 custava R$46.800 - 49.990 reais a menos do que nos dias de hoje, ou seja: o preço mais do que dobrou. A gente sabe que essa diferença absurda se deve a fatores além da política de valores da marca, porém é interessante fazer o comparativo pra termos uma ideia de como as coisas encareceram.
A central multimídia, antes opcional, passou a vir de série junto do volante com controles pra ela, contudo a lista geral de recursos não sofreu tanta alteração que justificasse um aumento tão expressivo. Ao menos o hatch italiano preserva qualidades como o rodar macio, o silêncio quase absoluto a bordo e a condução confortável, descomplicada.
O trabalho dos pedais e da alavanca de câmbio agrada bastante e não cansa mesmo depois de dirigir por horas. A relação de marchas é que merecia uma revisão, pois a 1ª é extremamente curta e a 5ª podia ser mais longa - ou, quem sabe, existir uma 6ª tipo overdrive pra uso em viagens e rodovias. Fora esses pontos não há o que reclamar.
![]() |
| Visual do Argo envelheceu muito bem. |
Apesar de tudo, o fato é que ainda estamos falando de um hatch de porte compacto com motor 1.0 aspirado que custa quase 100 mil reais. A essa altura do campeonato fica difícil falar em "valer a pena", porém ele ainda vale pra quem procura um 0km e não quer um elétrico ou busca fugir de modelos como Mobi, Kwid e C3 que ainda custam menos - pelo menos até agora.
Uma nova geração será apresentada ainda esse ano com forte inspiração no Grande Panda, modelo europeu que trouxe a nova linguagem da Fiat pra todo o mundo. É possível que o hatch mude até mesmo de categoria, mas isso só saberemos no lançamento. O fato é que hoje, apesar de muito caro, o Argo ainda pode ser a compra certa pra você, mas em um cenário bem específico.





















