O novo CAOA Changan UNI-T não é tão novo assim; entenda

CAOA Changan UNI-T, novidade no Brasil, foi lançado lá fora em 2020 e com mecânica superior que não veio pra cá

Nova estrela da CAOA pro mercado brasileiro, o SUV-coupé UNI-T é, na verdade, um produto já antiquado no restante do planeta. Entenda a história.

*Com a colaboração de Rodrigo Fernandes


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Foto: Divulgação

Nesta quinta-feira (26/03), o mercado automotivo brasileiro parou pra ver a estreia oficial da nova joia da coroa da CAOA: o UNI-T, primeiro modelo da aliança CAOA Changan a ser comercializado em solo tupiniquim. Trata-se de um SUV-coupé de porte médio, design exótico e um conjunto interessante ao preço de R$169.990 em versão única e sem opcionais. Muito bom, não é?


A empresa investiu 5 bilhões de reais em Anápolis (GO) pra fabricar o UNI-T aqui. Equipado com motor 1.5 turbo flex de até 180cv e câmbio de dupla embreagem, o modelo já está fazendo bastante barulho nas redes sociais e promete incomodar tanto os SUVs médios quanto os compactos. O que ninguém disse ainda, porém, é que ele tá muito longe de ser uma novidade.


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Foto: Divulgação

"Como assim, Ravito? Mas ele foi lançado agora..."

Aqui no Brasil, sim. Lá fora, contudo, a história é muito diferente: ele foi apresentado em março de 2020 e estreou no mercado chinês poucos meses depois, em junho. É isso mesmo - a "novidade" já tem seis anos de mercado em diversas partes do planeta, mas só chegou ao Brasil agora com toda a pompa que não permite que os fatos sejam percebidos pela maioria.


E não para por aí: o UNI-T nacional, de fato, é equipado com o mesmo conjunto mecânico disponível no estrangeiro, mas existe uma outra opção lá fora que não veio pra cá - um 2.0 turbinado de até 233cv e 39,7kgfm de potência e torque máximos, aliado a uma caixa automática da Aisin com oito velocidades. Ou seja: o brasileiro, além de atrasado, veio com o conjunto inferior.


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Foto: Divulgação

"Tá, Ravito. Entendi. E daí? O que isso significa?"

Depende do seu ponto de vista. Você pode encarar pela ótica de ser novidade aqui no Brasil somente e não se importar, bem como pode entender que é um produto que pode se tornar ainda mais defasado em breve, uma vez que esteja perto de passar por atualizações profundas - lembre-se que são seis anos de mercado, o que é muita coisa atualmente.


São suposições, de fato, mas uma empresa que traz como "novidade" um produto já cansado em outros mercados, sinceramente, começa muito mal. Optar por fabricá-lo aqui é algo positivo e digno de aplausos, mas o brasileiro merecia um veículo alinhado com o que o mercado espera e com o que a concorrência oferece - em sua maioria, produtos recentes e modernos.


Foto: Divulgação

Como se não bastasse, a maior "pérola" aconteceu durante a apresentação pra imprensa: a CAOA colocou a marca Changan no mesmo nível de empresas como Audi, BMW, Mercedes, Lexus e Tesla, enquanto a Avatr (submarca de luxo) foi equiparada a, pasmem, Ferrari, Lamborghini, Bentley, Maybach e McLaren. Ter autoestima é legal, mas até isso tem limite.


Antes de querer se equiparar a fabricantes com tanta tradição e renome, a CAOA Changan deveria, no mínimo, reconhecer o longo caminho que precisa percorrer pra poder dizer isso ao público. Esse caminho, aliás, começa com o respeito, reconhecendo o consumidor brasileiro como merecedor das mesmas atualidades que são oferecidas no resto do planeta. Desse jeito ficou feio.