As redes sociais estão lhe destruindo de dentro pra fora e é por isso que você deveria diminuir o uso delas.
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| Foto: caltech.edu |
Mano... Eu tô absolutamente de saco cheio de rede social. Todas elas. Instagram, Tiktok... Não incluo o Facebook porque já me livrei dele há anos e não sinto falta alguma. WhatsApp, de fato, ainda uso por questões familiares e comerciais, mas ainda assim, com restrições. YouTube, que não considero uma rede social (embora possa ser usado como tal), mantenho pra fins de entretenimento e informação. E só. Ponto. Pra mim, chega. Já deu.
O que mais me irrita nas redes sociais é a imperatividade. Isso mesmo: IMPERATIVIDADE, não "hiperatividade". São coisas diferentes. Você abre qualquer app desses e logo dá de cara com algum completo desconhecido querendo te dizer o que fazer, o que comer, como se vestir, como dirigir, como viver... Toda hora, o tempo todo, de todos os jeitos possíveis. Todos se tornaram autoridades e querem palpitar sobre sua vida. Isso, pra mim, se tornou infernal.
Como se não bastasse, as guias de comentários das postagens repetem o padrão: você vê outros trocentos pseudoespecialistas comentando todo tipo de baboseira sem qualquer fundamento, quase sempre pelo simples prazer de discordar ou de gerar raiva em um grupo específico (o famoso "ragebait"). Fala a verdade: você realmente acha que tá bom desse jeito ou apenas tem feito "no automático"? Tipo, já se habituou e só o faz todos os dias por causa disso?
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| Um lixão a céu aberto ou o feed de uma rede social famosa? Não sei diferenciar. Foto: Vik Muniz |
Outra coisa tão irritante quanto é a falta de criatividade. Movidos pela ânsia da possibilidade de sucesso, muitos e muitos indivíduos postam as mesmas coisas: as mesmas "trends" com os mesmos áudios batidos, as mesmas músicas ruins, as mesmas ideias manjadas... Só muda o rosto que aparece e o perfil do autor (ou autora), mas o conteúdo é o mesmo. Se não seguir a "trend" não viraliza, né? E é só isso o que importa.
"Você tá exagerando e sendo ranzinza, Ravito. Tem muita coisa boa na net" - tem. Nunca disse que não tinha. O problema é que só o que VIRALIZA é que é jogado na nossa cara e, geralmente, esse tipo de coisa é puro lixo. Os conteúdos bons, autênticos e que acrescentam algo precisam ser cavados e encontrados como um baú do tesouro, pois costumam ser elaborados pra agregar valor e não pra alimentar algoritmo. O feed, em outras palavras, virou uma boca de esgoto.
Hoje em dia, você é bombardeado com material de contas que sequer procurou a respeito ou botou pra seguir; a plataforma esfrega na sua cara. Quem você realmente queria ver fica em segundo plano - amigos, conhecidos, as contas que você ESCOLHEU acompanhar. Por que essa mecânica nefasta continua funcionando à todo vapor, mesmo com tantas reclamações dos usuários? Simples: porque ela foi pensada pra nos idiotizar, nos cativar. E funciona muito bem.
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| Foto: Reprodução/LinkedIn |
O lance é que muita gente reclama, mas ninguém faz nada pra mudar e é por isso que ela é eficaz. Parece que ninguém mais consegue soltar o celular pra nada. Jantar romântico? Tá o casal com a cara no celular. Uma simples noite em família? Todos ou quase todos no celular. Dirigindo(!)? De olho no celular. Formatura do filho mais novo? Celular - e não é só pra capturar o momento. O que tem de tão interessante assim nele que você não possa largá-lo?
Nada. Mas você não larga. Sabe por quê? Porque tem gente que ganha muito, mas muito dinheiro com o seu, o meu, o nosso vício. Como diz o velho ditado: tempo é dinheiro. Seu tempo na frente do celular rende muito pra um grupo de "alguéns" e esse povo investe muita grana em engenharias comportamentais pra te manter exatamente desse jeito: vidrado, indiferente, enjaulado. É uma coleira que você não pode ver ou tocar, mas que é muito real.
"Mas é inofensivo, Ravito. Eu paro quando eu quero" - é o que todo fumante e alcóolatra contumaz pensa e diz em voz alta. Responda a si mesmo: quando foi a última vez, tirando a hora de dormir, que você parou pro NADA? Pra não fazer nada, não ouvir nada, não ver nada... Quando foi? Sem nenhum estímulo, sabe? Nenhuma música, imagem digital, dispositivo eletrônico... Quando? Se faz pouco tempo, bom; tá no caminho certo. Se você nem lembra, cuidado...
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| Foto: Mark Hamblin/rewildingeurope.com |
Vou deixar esse parágrafo aqui porque o excesso de telas destruiu a capacidade de interpretação do brasileiro mediano. Que fique claro: não tô sugerindo que você se torne um homo erectus e viva como na idade da pedra. Não existem apenas os extremos, sabia disso? Deixa eu te apresentar o MEIO-TERMO. A sugestão é que você não seja um escravo digital. Que você relembre o que é pensar por conta própria, desenvolver sua criatividade, se estimular com coisas substanciais.
Para com essa porcaria de fazer o que todo mundo faz. De querer saber o que os outros pensam ou gostam só pra moldar o seu gosto aos outros. Pare de bombardear seus olhos com telas e mais telas enquanto a vida acontece desfocada por trás do celular. Use, mas não supervalorize o que vê ali e muito menos deixe que isso tenha poder sobre você, suas emoções e pensamentos. Nunca, NUNCA abra mão do seu SENSO CRÍTICO e do seu poder de questionar.
É justamente por isso que não publico todos os dias: não quero ser um escravo da internet, nem quero que meus leitores sejam. Justamente por isso, o Volta Rápida nunca mais voltou às redes como era no começo; essa coisa toda me incomoda profundamente. Tô ficando ranzinza? Aos olhos de alguns, talvez. Particularmente prefiro pensar que me recuso a seguir a manada, o que funciona muito bem pra mim. Pra você, com certeza, também funcionaria. Experimenta.



