Volkswagen Amarok 2025 muda pouco e custa muito, mas ainda ostenta força bruta
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| Nosso exemplar testado veio na cor Branco Puro, a única sem custo adicional. |
Carros de passeio são produtos complexos que têm o poder de motivar a compra (ou a repulsa) por diversos fatores diferentes, mas existem casos onde determinados modelos trazem características tão marcantes que elas acabam atuando como o "voto de Minerva" da situação, fazendo o consumidor bater o martelo quando está na dúvida entre ficar com a opção X ou a Y. É exatamente o que acontece com a viatura que testamos recentemente.
Estamos falando do Volkswagen Amarok, a sempre polêmica picape alemã que foi lançada no mercado brasileiro em 2010 e agora, quinze anos depois, segue sem alterações tão expressivas. As últimas novidades vieram na linha 2025, na forma de um facelift que trouxe retoques visuais e algumas poucas novidades tecnológicas. Será que ainda vale a pena? Nós rodamos cerca de 500km ao longo de uma semana para descobrir a resposta.
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| Lanternas ganharam máscara em preto brilhante. O "lettering" na tampa da caçamba também é novo. |
O que mudou?
O Amarok 2025 recebeu peças novas como: para-choque dianteiro, faróis principais e de neblina, grade frontal, rodas, emblemas na tampa da caçamba e lanternas. De frente, a picape agora traz faróis Full LED de série em todas as versões, equipados com luzes diurnas integradas e ajuste elétrico de altura, substituindo os halógenos do pré-facelift nas versões mais baratas e os bixenon nas mais caras. A variante Extreme traz ainda a barra superior da grade iluminada por LED, criando um visual distinto à noite.
No mais, novas rodas de 20 polegadas com acabamento diamantado, lanternas com máscara em preto brilhante e um novo "lettering" finalizam os retoques externos. Já na parte interna, as alterações foram muito mais discretas, limitando-se a novas costuras e acabamentos em pontos específicos. Muitos questionaram o porquê da picape não receber elementos como o cluster de instrumentos 100% digital "Active Info Display" e coisas do tipo; a questão se resume a limitações de projeto e arquitetura eletrônica.
O Amarok já teve diversas opções de conjunto mecânico ao seu dispor, mas a linha 2025 chegou para mudar isso. As três versões do utilitário trazem o motor 3.0 V6 "TDI", turbinado e a diesel, capaz de gerar até 258cv e 59,1kgfm, atrelado a um câmbio automático de oito marchas. É o mesmo motor que estreou na picape em 2017, já com a reprogramação de fábrica que foi introduzida a partir da linha 2021.
Com todo esse poder de fogo, o Amarok vai de 0 a 100km/h em apenas 7,4 segundos, posicionando-se entre as cinco picapes mais rápidas do Brasil. Para completar, o sistema de tração integral 4MOTION é do tipo AWD, gerenciado eletronicamente e sem intervenção do motorista, além de não contar com opção de reduzida. Há bloqueio eletrônico de diferencial e trocas manuais na alavanca ou no volante.
A lista de equipamentos do Amarok 2025 contempla itens como: seis airbags, faróis Full LED com luzes diurnas e ajuste elétrico de altura, bancos dianteiros com ajustes elétricos (incluindo lombar), faróis de neblina em LED, sensores dianteiros e traseiros de estacionamento, câmera de ré, rodas aro 17, central multimídia com tela de 9 polegadas e espelhamento sem fio para smartphones, assistente de descida, entre outros.
A versão intermediária Highline acrescenta ar condicionado digital de duas zonas, rebatimento elétrico dos retrovisores, volante multifuncional com paddle-shifters, bancos em couro, guia de LED na grade frontal, entre outros. Por fim, a top de linha Extreme agrega rodas aro 20, monitoramento de pressão dos pneus, santo-antônio decorativo, estribos laterais e pedaleiras esportivas. Os preços vão de R$313.990 a R$354.990.
Os 500km que rodamos com o Amarok 2025 privilegiaram trechos rodoviários, divididos em uma proporção de 70/30 com percursos urbanos. De cara, as impressões da reestilização da picape alemã se mostram mais agradáveis ao vivo do que por foto; o Amarok manteve sua imponência e a capacidade de chamar atenção nas ruas, especialmente à noite por conta do filete de LED que interliga os faróis e os grandes aros de 20 polegadas. Os faróis de neblina são os mesmos utilizados no Nivus pré-facelift e no atual Virtus.
Por outro lado, o interior causa frustração por ter mantido o acabamento excessivamente simples, usando e abusando de plástico rígido (nem sempre de bom aspecto visual) por todos os lados. O painel com instrumentos analógicos traz uma pequena tela colorida ao centro para as funções do computador de bordo e a nova central multimídia de 9 polegadas é simplória demais. Resumindo a ópera: em vista do preço de tabela, a nítida sensação é a de que a picape merecia muito mais, especialmente na parte interna - por fora, agradou.
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| Versão Extreme traz adesivos decorativos nas portas. |
As sensações seguem mistas até o momento em que você dá a partida no V6 e começa a andar com o utilitário. O seis-cilindros acorda manso e chega a ser bem discreto, mas leva as mais de duas toneladas sem qualquer dificuldade; o câmbio é que merecia um escalonamento melhor, pois as marchas menores parecem excessivamente curtas e fazem a picape parecer um tanto "amarrada". Na estrada, por outro lado, o Amarok vira um míssil e deixa vários outros carros para trás.
Os pouco mais de 59kgfm de torque aparecem desde os 1.400rpm e vão até 3.000rpm quando começam a cair, porém, essa queda de torque é compensada pelos 258cv de potência máxima que se manifestam a partir dos 3.250rpm e se mantém nesse pico até os 4 mil giros, cortando as rotações a 5 mil rpm. Em outras palavras, sobra força o tempo inteiro, o que deixa a condução altamente prazerosa e segura, pois o Amarok faz tudo o que o motorista deseja sem deixar dúvidas.
A melhor parte é que a picape alemã consegue esbanjar desempenho sem maltratar o bolso na hora de abastecer. Nós andamos em praticamente 100% do tempo sem nos preocuparmos em conduzir de maneira econômica e, ainda assim, a média geral ficou em 10,8km/l - ou seja, os números podem ser bem melhores durante uma direção mais comedida. Ao final do teste, com cerca de 500km rodados, o marcador do tanque de combustível estava apenas um pouco abaixo da metade.
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| Espaço traseiro é bastante adequado. |
O acerto dinâmico e a dirigibilidade também são muito bons, fazendo o Amarok ser uma das picapes que mais se assemelham a um carro qualquer ao volante - e esse sempre foi um forte argumento de vendas da alemã. É uma experiência muito diferente do que se tem, por exemplo, em concorrentes como o Fiat Titano e o Mitsubishi L200 Triton que mostram uma pegada muito mais rústica e "raiz". Se isso é um defeito ou uma qualidade, como sempre falamos, depende unicamente dos gostos pessoais de quem dirige, mas a qualidade da experiência ao volante do Amarok é inquestionável.
No mais, o Amarok mantém os acertos e erros de sempre. Embora a picape não seja referência em tecnologia embarcada, tudo está ao alcance do condutor e funciona corretamente, mas precisamos deixar uma ressalva quanto ao "Safer Tag", o pequeno display redondo no centro do painel que exibe meros alertas: mudança indevida de faixa, possível colisão, entre outros. Pelo menos a versão Extreme e seus mais de 350 mil reais deveriam ter recebido alguns mínimos assistentes semiautônomos de condução que estão presentes em inúmeros modelos mais em conta.




















