Preços do novo Honda Prelude fora do Brasil assustam e baixam as expectativas
O clássico coupé da marca japonesa viu suas vendas descerem a ladeira desde a 3ª geração e, ao que tudo indica, a atual será a menos vendida de todas.
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| Foto: Divulgação |
O Honda Prelude voltou a ser assunto após décadas de hiato e, num primeiro momento, trouxe bastante empolgação a todos. O modelo foi apresentado como conceito em 2023 e deu origem a um carro de produção praticamente inalterado dois anos depois; ele chegou a ser mostrado no último Salão do Automóvel, sendo confirmado para o Brasil na ocasião.
Os coupés estão em risco de extinção por todo o mundo, então é ótimo ver um fabricante investindo em uma carroceria desse tipo. Além disso temos a certeza de sua comercialização no mercado brasileiro e, veja só, um modelo de rua que trouxe tudo o que o público gostou no conceito, algo que é raro de acontecer. Tem tudo pra dar certo, concorda?
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| Foto: Divulgação |
Até tem, mas...
O novo Prelude nasceu pra cobrir o buraco deixado pelo fim do Civic coupé. Fabricada unicamente no Japão, a sexta e atual geração começou a ser vendida oficialmente no país em setembro do ano passado e até teve um bom início: foram 2.400 reservas por lá somente no lançamento, número expressivo pra um produto desse tipo e que custa tanto.
Sim: o novo Prelude é um carro caro. Muito caro. Seu preço no Japão começa em 6.179.800 ienes, posicionando-o como o 2º modelo mais caro da Honda no país - já um Civic Type R começa em 4.997.300 ienes. Pra você ter ideia um carro barato como o Fit parte de 1.776.500 ienes enquanto um HR-V, vendido como Vezel por lá, começa em 2.758.800 ienes.
Nos Estados Unidos a situação é um pouco diferente. O Prelude parte de 42.000 dólares enquanto um Civic Type R começa em 45.895 dólares; já um Civic base, seu produto mais barato no país, inicia em 24.695 dólares. Você vai entender a comparação com o Type R em breve, mas o fato a ficar claro por hora é: o Prelude é muito, muito caro.
*Valores referentes a Jan/26, retirados dos sites oficiais
E no Brasil? Como vai ser?
Ninguém sabe porque o carro sequer tem data de lançamento, apenas a confirmação de que chega agora em 2026, mas as expectativas não são nada boas. Pegando o Civic Type R, produto mais caro da Honda no nosso país e um esportivo reconhecidamente de ponta, lembramos que ele hoje começa em R$430.500. Isso dá uma boa noção do que esperarmos.
Vamos converter os preços de forma direta, sem impostos e lucros, apenas pra fins de noção: o Type R japonês, aquele citado ali em cima, custaria R$169.872 enquanto o dos EUA ficaria por R$247.442 - aqui sai por mais de 400 mil importado do Japão. Já o Prelude nipônico seria R$210.068 enquanto o norteamericano custaria R$226.443. E o brasileiro?
Se eu fosse apostar, considerando o cenário dos preços do Prelude em outras praças, chutaria entre 380 e 420 mil reais. De todo modo, seja aqui no Brasil ou fora dele, o Prelude é um carro inexplicavelmente (e absurdamente) caro por ser inferior ao Civic Type R em inúmeros aspectos e ainda assim se nivelar a ele em preço, o que não faz o menor sentido.
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| Foto: Divulgação |
A expectativa é a mãe da frustração
O novo Prelude é um híbrido pleno - sem suporte a recarga por tomada. Seu conjunto mecânico é o mesmíssimo do atual Civic vendido no Brasil, mas com um pouco de potência extra. Tá longe de ser um conjunto ruim; é muito bom. Acontece que "híbrido" e "CVT" são as últimas coisas que você espera ao olhar um coupé de pretensões esportivas como o Prelude.
É como ver um pote de sorvete no congelador, abrir a tampa e encontrar feijão. Volto a dizer: o conjunto não é ruim, porém um produto como o Prelude pedia outra coisa mais condizente, especialmente porque essa mecânica já está manjada dentro da gama da marca e ficando com cara de "vamos usar isso até o limite pra economizar ao máximo".
A economia seria justificada se fosse um carro barato, mas já vimos que não é. Por que não usar o 2.0 turbo do Type R amansado ou até com as mesmas specs ou, quem sabe, o 1.5 turbo do Civic Si? Existem opções, mas a arrogância da Honda faz ela ter certeza de que vai vender um carro inferior aos concorrentes pedindo muito mais dinheiro do que eles.
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| Foto: Divulgação |
Vamos falar dos rivais esportivos? Vamos. A Subaru vende o divertidíssimo BRZ por iniciais 35.860 dólares ou 38.360 no top de linha. Quer subir o nível? Leve o WRX, um sedan consagrado e de alto calibre a partir de 37.750 dólares. Se formos na Toyota encontramos o GR86 começando em 31.200 dólares ou o GR Corolla por iniciais 39.920 dólares.
Quer elevar ainda mais o padrão? Vá até a Nissan e leve um Z com motor 3.0 V6 biturbo de até 400cv por 42.970 dólares - apenas 970 dinheiros a mais do que o Prelude. Enfim, tem o Hyundai Elantra N por 35.100 dólares, os VW Jetta GLI e Golf GTI por 33 e 34 mil dólares, respectivamente... Sobram opções mais divertidas, mais competentes e mais baratas.
"Mas o Prelude é o único coupé híbrido e aqui no Brasil não tem essas opções todas" - ambas as afirmações são verdadeiras, contudo não justificam a pedida de ouro pelo modelo. Um preço elevado deveria, no mundo ideal, se traduzir em um produto de ponta e o novo Prelude, embora não seja ruim, está longe de ser um desses.
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| Prelude Concept apresentado em 2023. Foto: Divulgação |
O resultado? Um começo fraco de vendas no mercado americano - apenas 174 unidades no primeiro mês cheio de comercialização, número bem abaixo das 300 unidades mensais esperadas pela Honda. Isso, repito, ainda no momento inicial que normalmente é marcado pela euforia de lançamento, tipo as 2.400 unidades reservadas no Japão.
Antes que você argumente que o Prelude não é o tipo de carro que costuma vender muito: só nos EUA foram mais de 171 mil unidades entre 1979 e 1982 na 1ª geração, mais de 330 mil exemplares entre 1983 e 1987 na 2ª geração e 160 mil carros entre 1988 e 1991 pra 3ª geração - dali pra frente cada geração vendeu menos e menos. Ao que tudo indica a 6ª será a pior delas.





