Tudo Começou Com... - a nova série especial do Volta Rápida! Confira o capítulo nº 01

Tudo Começou Com... um M3 E46



Nova série do Volta Rápida vai trazer histórias do jornalista Yuri Ravitz sobre sua relação com as montadoras e modelos icônicos que marcaram sua paixão automotiva.



É novidade que você quer, @? Então toma! 2026 tem trazido várias novidades para o Volta Rápida, já reparou? Temos um novo layout bem mais moderno, novos conteúdos independentes (como análises de jogos sobre carros)... Enfim, muita coisa bacana chegando e hoje quero falar de mais uma que trago nesse momento: uma série especial!


A nova série "Tudo Começou Com..." é dedicada a trazer contos divertidos, interessantes e/ou curiosos sobre modelos que marcaram meu passado e que moldaram a paixão automotiva do presente. Todo maluco por carros tem aquela viatura que faz o coração bater mais depressa, não é? Pois é. Se você é um desses chega mais porque vai ser top!


Pra começar eu escolhi falar de um fabricante com mais de 100 anos de história e que tem o Puro Prazer de Dirigir como filosofia desde os anos 70... ou Freude am Fahren no seu idioma nativo, o alemão. Já sabe quem é, né? A mitológica BMW, uma das três maiores deusas germânicas do mundo dos carros. Minha história com ela começou na adolescência graças a esse cara aqui:


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Foto: Divulgação

O M3 E46!

Eu nasci exatamente em 1990, uma época onde o mercado brasileiro ainda não sabia, em sua maioria, o que era um carro importado. Era coisa de gente que tinha muito, mas muito dinheiro mesmo, porém tudo começou a mudar em 1993 com a abertura das importações pelo então presidente Fernando Collor. As ruas brasileiras começaram a ganhar um novo tempero.


Só que a situação ainda era muito diferente dos dias atuais. Ver carro importado na rua não era comum como hoje; nem se compara. Mercedes, Land Rover, Audi, BMW, Lexus... A gente só via essas coisas em revista ou, quando dava muita sorte, estacionado em algum lugar ou desfilando em outro. Ver um desses ao vivo era um fenômeno, especialmente pra quem já gostava (como eu).


Nesse tempo eu era criança e quem se sobressaía nas ruas eram os Mercedes Classe C (que também sou fã), BMW Série 3... aqueles sedans alemães de jeitão quadrado, elegante. A BMW com a clássica grade "duplo rim" e a Mercedes com suas estrelas proeminentes nos capôs, detalhes muito particulares que me chamavam atenção já naquela época.


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Foto: Reprodução/The Car Spotter no Facebook

O modelo que mudou tudo

Os anos 2000 chegaram trazendo minha adolescência e, com ela, o contato com um modelo que me marcaria pra sempre. Nessa época eu morava em Irajá, um conhecido bairro da zona norte do Rio de Janeiro capital, numa rua que ficava de frente pra uma agência multimarcas que só tinha "nave". Era até curioso uma loja com esse padrão de carro naquele bairro, mas eu adorava.


Sempre fazia questão de parar na vitrine da loja nas minhas idas e voltas da escola, mas teve um dia em que vi um carro diferente de tudo. Sabia que era um BMW por causa da grade característica e o emblema, mas ele era mais "parrudo" que os outros e tinha linhas mais suaves, modernas. Não era quadradão como os que eu conhecia de vista. Achei maravilhoso e queria ver mais.


Num outro dia eles pararam o carro de costas pra rua e foi ali que eu vi o detalhe que me deixou "pirado": na tampa do porta-malas, à direita, tinha o emblema cromado M3 com três barras coloridas ao lado do M, algo que me remetia a uma bandeira. Eu não sabia o que significava, mas achei aquilo incrível por me remeter quase que instantaneamente ao mundo das corridas.


Foto: Reprodução/Iconic Auctioneers

Nesse dia a minha visão foi exatamente essa e eu não tive dúvidas: as quatro saídas de escape, a postura agressiva, a "bandeira de corrida" no emblema... Eu tava diante de um carro especial, diferente de tudo o que eu já tinha visto nas ruas. Aquele BMW tinha algo a mais e tudo nele me deixou fascinado. Apesar disso nunca tive coragem de entrar na loja.


Escolhi cuidadosamente essas duas fotos de cima porque o modelo da loja era exatamente assim: carroceria prata com lanternas de LED e aquelas rodas da terceira foto, abaixo do exemplar azul. Outro dia vi o M3 rodando pelo bairro e foi ali que as lanternas de LED acesas me reforçaram a ideia de ser um carro especial, pois era outro recurso que eu não via em nenhum outro.


Tudo isso foi responsável por me transformar em um fã de BMW. Essa atenção aos detalhes, o cuidado em fazer um modelo verdadeiramente especial e diferente dos demais... A partir dali comecei a prestar mais atenção aos produtos da marca e, é claro, apreciar outros que fui conhecendo nos anos seguintes. O M3 E46, contudo, continua sendo um dos prediletos.


Foto: Divulgação

Outro BMW que me marcou anos depois, por volta de 2009, foi o E60. Teve uma certa noite onde me deparei com um que tava rodando exatamente como na foto acima, usando só as luzes de posição (os famosos "angel eyes") e os faróis de neblina. Quando vi esse bichão chegando desse jeito fiquei tão empolgado quanto na época da descoberta do M3.

Anos depois é que vim a entender tudo: M3 era o modelo esportivo dos Série 3, M era de Motorsport, as cores da bandeira, o E60 ser uma geração do Série 5... e assim juntei mais uma marca ao meu gosto irremediável por carros alemães. Cheguei a dirigir alguns poucos BMW na minha vida, mas nunca tive contato com meus prediletos. Pelo menos até hoje.

Já passei algumas horas ao volante de um 130i, também já consegui pilotar o épico 1M por alguns minutos e já dei algumas voltas a bordo de um X5 e de um 550i. Sobre meus prediletos, além do M3 E46 listo o M5 E60, 1M, Z3 (qualquer um), Z4 M Coupé... Todos da velha guarda. Dos atuais são poucos os que me empolgam de verdade, muito por causa do visual controverso.

Foto: Divulgação

Interessante pensar em como pequenos detalhes conseguem impactar a gente, não é? Se não fosse o pequeno emblema colorido na traseira daquele M3, talvez eu não tivesse prestado tanta atenção, apesar de ter gostado do carro. Isso me marcou tanto que as próprias barras no logo do Volta Rápida, inteiramente desenhado por mim, fazem alusão a isso.

É desse tipo de capricho que sinto falta quando olho pra maioria esmagadora dos automóveis atuais. Não vejo tanto dessa criatividade, desse capricho que consegue despertar até os olhares de quem ainda tá descobrindo o mundo e não entende muito bem do que se trata. Os carros de antigamente estampavam pôsteres, quadros, paredes, telas... e os de hoje? Fica a reflexão.