Opinião: o novo Série 3 mostra que alguém dentro da BMW está pedindo ajuda

Rapidinha do Ravito: o novo BMW Série 3 é terrível por dentro e por fora. O que tá acontecendo com a marca?


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Então... É isso aí. Foto: Divulgação

A BMW apresentou, enfim, a nova e oitava geração do Série 3. As primeiras imagens oficiais do inédito Série 3 elétrico, chamado de i3, já estão na internet e mostram um modelo... bem... esquisito, pra dizer o mínimo. Como a marca não faz distinção de design entre seus EVs e ICEs, esse é o novo Série 3 oficialmente falando. Por dentro e por fora, em todos os detalhes.


E olha... que carro feio. Muito, muito feio por todos os lados. Havia inúmeras formas de se dizer isso, mas quis ser enfático e direto ao ponto porque o Série 3 é, inegavelmente, um dos produtos mais importantes e emblemáticos da história da BMW. Sabia que é um dos mais vendidos dela, se não o best-seller supremo? Foram mais de 16 milhões de unidades feitas desde 1975.


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Foto: Divulgação

É justamente essa importância que me motiva a fazer um artigo inteiro reclamando dele; a BMW já assassinou o design de outros modelos no passado recente e eu não fiz nenhum material a respeito, mas a coisa muda quando falamos do Série 3. Ele foi o responsável, nos tempos áureos, por me fazer olhar com apreço pra marca, conforme já contei no começo do ano.


Pra mim, o Série 3 é um porta-voz da marca. Um embaixador. Ele diz ao mundo como a BMW quer ser vista - de forma disruptiva, rompedora de padrões. Eu entendo, aceito e admiro isso, de verdade, mas preciso dizer que a execução foi muito ruim. XM, os últimos Série 5 e 7, X2, o novo X5 que já vazou e agora, isso... Parece haver alguém dentro da BMW mandando um pedido de socorro.


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Que tal uma Smart TV no meio do painel? Foto: Divulgação

Só teve uma coisa que eu desgostei mais do que o exterior grotesco: o interior. Tipo... que diabos de volante é esse? Por que há uma Smart TV de 60 polegadas no meio do painel? E por que tem, mesmo com essa tela mastodôntica, mais um monte de informações exibidas em telas menores na base do para-brisa? Nós não estávamos reconhecendo que esse excesso é negativo?


Cadê a elegância? Onde foram parar os botões? Os singelos e pragmáticos botões que o público tanto anseia pelo retorno... Como pode a filosofia "Puro Prazer de Dirigir" ser vivenciada se o motorista precisa ter quatro olhos pra enxergar tudo o que o carro tá mostrando pra ele? Ser disruptivo e revolucionário é bom, mas em excesso, mais atrapalha do que ajuda.


Foto: Divulgação

A nítida impressão que tenho é que alguém lá dentro tá querendo ser demitido, mas tá segurando o emprego enquanto não aparece outra coisa. Repare que até a belíssima Hofmeister Kink, tradicional coluna C que é marca registrada dos BMW mais antigos, foi sacrificada; eles vão dizer que ela continua ali, mas basta olhar o recorte cartunesco da janela vista de dentro.


Bom de andar? Não duvido, apesar do peso de elefante. Bom de usar diariamente? Também não duvido. Vai vender? Com certeza, embora não sei se mais ou menos do que as metas. O problema é que essas parecem ser as únicas preocupações da BMW hoje e, ao meu ver, uma empresa com a alcunha de premium também deveria se preocupar com outras coisas.


A Bayerische Motoren Werke que eu conheci, dos anos 90, queria mostrar que sabia fazer automóveis tão elegantes quanto agressivos. Bonitos do seu jeito. Tão bons quanto os dos adversários. A de hoje, pelo visto, só quer "causar" na cena e vender sem se importar com as coisas que a trouxeram até aqui no começo da conversa. Triste dia pros fãs de carros alemães, como eu.