VW Tera turbinado e manual é o melhor de toda a gama - e eu explico o porquê

Volkswagen Tera 170 TSI é turbinado, manual, esperto, econômico e pragmático, mas deveria custar menos


Versão mais barata com motor turbo é, na minha opinião, a melhor de toda a gama do menor SUV da VW atualmente. Foram mais de 1.000km de testes.


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A cor Azul Ártico custa R$1.950 à parte. Rodas aro 16 diamantadas saem por R$1.930 como opcionais.

Já parou pra reparar que os carros manuais estão sumindo do mercado brasileiro? Eles já foram o padrão numa época em que câmbio automático era coisa de carro de luxo, mas isso acabou e não é difícil entender os motivos. O principal deles, sem dúvida, é o conforto que cada vez mais pessoas buscam pra conseguir passar pelos intermináveis congestionamentos de todos os dias.


Apesar disso, ainda tem quem faça questão de passar as marchas por si mesmo e, pra esses, uma das últimas opções entre os 0km esteve com o Volta Rápida recentemente: é o Volkswagen Tera na versão 170 TSI, única turbinada e manual da gama. Essa é a 2ª vez em que o Tera aparece no VR; a primeira foi em outubro do ano passado quando testamos a topo-de-linha High.


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Com as rodas aro 16 opcionais, o Tera 170 TSI fica praticamente idêntico a um Comfort.

Rodei mais de 1.000km com o Tera manual e preciso confessar que, antes de retirá-lo da concessionária, não tava muito empolgado pelo fato de ser manual. Embora eu tenha dois carros antigos na garagem, ambos manuais, não me incomodo de guiá-los justamente porque os uso pouco, saca? Tô ficando velho e já não tenho mais tanto saco pra ficar trocando marcha.


Logo nos primeiros quilômetros, porém, lembrei que os carros manuais da Volkswagen estão em outro patamar. Fazia algum tempo que eu não dirigia um VW moderno manual; a última vez foi há três anos, época em que avaliei o então novo Polo Track - leia a matéria clicando aqui. Turbinado e manual, então... Só tive um rápido contato com um up! TSI e faz muito tempo.


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Bancos são em um tecido que se repete em parte das portas dianteiras e em um detalhe decorativo no painel.

O Tera turbinado e manual é uma delícia de dirigir. Tudo tem o ajuste certo: embreagem, alavanca de câmbio, escalonamento das marchas, direção... tudo. A única coisa que me incomodou foi um certo "buraco" na aceleração em rotações mais baixas, algo que nunca senti em nenhum outro TSI que já guiei e que pode, talvez, ser um problema particular dessa unidade de imprensa.


De resto, ao volante, o Tera é somente elogios. Justo no dia da retirada, cheguei a enfrentar trânsito pesado em variados pontos e em nenhum momento reclamei mentalmente por estar guiando um carro manual, tamanho o conforto proporcionado pelo bom acerto do conjunto. O automático da Aisin é bom, mas é conservador demais e isso, às vezes, atrapalha.


Câmbio de cinco marchas é um velho conhecido do público.

Ainda acho que ele ficaria perto da perfeição com o 200 TSI debaixo do capô e uma transmissão de seis marchas, mas o conjunto atual dá conta com folga, esteja o carro cheio ou apenas com o motorista. A média geral de 17km/l com gasolina e etanol misturados também ajuda a reforçar a eficiência da mecânica veterana que já atestei em avaliações passadas.


Pra finalizar, os pneus de perfil 60 são ligeiramente mais altos do que os 55 do topo-de-linha High, o que deixa a condução mais confortável - pouca coisa, mas o suficiente pra quebrar um bocado da aspereza típica dos produtos da montadora sem comprometer o bom comportamento dinâmico. Em suma, como eu disse no teste do High, o Tera é bom de guiar como todo Volks moderno.


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Bnaco do motorista tem ajuste de altura. Volante tem ajuste de altura e profundidade.

"Tá bom, Ravito, mas ele não é perfeito. Fala dos vacilos"

Com certeza ele não é perfeito. O maior defeito do Tera 170 TSI é o preço: ele custa R$123.190 pela tabela atual (mai/26), o que o coloca em uma posição perigosamente desvantajosa dentro da própria casa, pois é possível levar um Nivus ou um T-Cross, ambos na configuração Sense, por R$119.990. São 3.200 reais a menos por duas opções de modelos superiores em vários aspectos.


Sua lista de recursos de série também é muito básica. Há faróis Full LED, 6 airbags, multimídia com espelhamento sem fio, sensores de ré, piloto automático e painel digital, compondo o "kit dignidade" de hoje em dia. Por esse preço, senti falta de uma câmera de ré, saídas traseiras de ar-condicionado (que faltam ao Tera como um todo) e mais itens de comodidade.


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Ar-condicionado é analógico. Multimídia VW Play é de série.

Dentre os rivais com transmissão manual, as opções são o Renault Kardian na versão Evolution por R$113.690 (que já esteve no VR) e o Fiat Pulse Drive por R$103.990, único do trio com motor aspirado; não há Pulse turbo manual. O Kardian, embora custe menos, é superior em vários aspectos e traz câmbio de seis marchas, ficando atrás apenas no "feeling" da direção.


No final das contas, é como eu disse: o Tera é um típico VW com todas as qualidades que esperamos dos carros da marca. Seu grande problema é o preço, porém, pelo crescente índice de vendas, fica claro que a montadora sabe o que está fazendo. O fato é que se você dirige por prazer e quer trocar marchas, não há melhor do que ele hoje entre os 0km.