Ford Maverick 2026 fica ainda melhor e aumenta a pressão contra os rivais; testamos a versão Tremor
Menor picape da montadora americana passou por um facelift e trouxe melhorias em vários aspectos sem aumentar o preço. Rodamos com a variante top de linha por 7 dias e 400km.
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| Nossa unidade testada veio na cor Cinza Torres. Todas as nove opções são oferecidas sem custo extra. |
Segundo mês do ano, 2ª viatura do ano! 2026 tá agitado e é assim que a gente gosta. Falando em coisas que gostamos, o mês de fevereiro começa trazendo uma avaliação que fiz com muito prazer, pois foi com um dos 10 melhores carros da história do VR que retorna mais uma vez, agora atualizado, pra gente ver como as alterações impactaram no uso.
É ele! O esportivo em forma de pickup, o Jetta GLI com caçamba, o embaixador dos Estados Unidos entre os utilitários brasileiros: Ford Maverick! Eu juro que tento ser o mais imparcial possível falando de Maverick, mas é difícil. Esse bicho é tão bom que fiz questão de avaliar duas vezes: a primeira em 2022 e a segunda em 2023. Vamos pra terceira? Claro!
A Ford fez importantes mudanças em vários aspectos dele e nos cedeu uma unidade pra explicarmos tudo tintim por tintim pra você, além de analisarmos como essas novidades impactaram o dia-a-dia com a picape. Rodamos por uma semana, 400 quilômetros e diferentes tipos de terrenos/circunstâncias pra falar tudo sobre a linha 2026 do utilitário. Bora!
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| Para-choque dianteiro está mais angulado, o que ajuda a raspar menos em valetas e rampas. Versão Tremor traz ganchos inferiores dos dois lados. |
O que mudou?
Por fora, o Maverick 2026 ganhou novos faróis em forma de vírgula e dotados de projetores biLED, para-choque frontal redesenhado com um ângulo de ataque mais favorável, discretos alargadores de para-lamas em preto fosco (exceto na versão Hybrid), novas rodas e grafismos, ambos dependendo da configuração escolhida. Há 9 opções de cores, todas sem custo adicional.
Falando em configurações, agora você pode comprar o Maverick em três variantes: a de entrada Black por R$219.990, a já conhecida Hybrid e a inédita Tremor (pronuncia-se TRÊMOR, do inglês), ambas custando R$239.990*. A antiga Lariat FX4, que foi lançada em fevereiro de 2022 por pouco mais de 233 mil reais e chegou a quase 245 mil no ano seguinte, foi descontinuada.
*preços referentes a fev/26
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| Versão Tremor é voltada ao fora-de-estrada e conta com características especiais pra isso. |
Trema, concorrência!
A versão de entrada Black é inédita na gama do Maverick e é, essencialmente, a que mais se aproxima da antiga Lariat FX4. Já a Tremor existe desde 2023, mas só chegou ao Brasil oficialmente no ano passado como parte do pacote de novidades do Maverick, acompanhando a reestilização de meia-vida do produto. É uma configuração pensada para o fora-de-estrada.
Ela traz estepe de tamanho normal ao invés do "mini" das demais versões, pneus de uso misto com 235mm de largura, ganchos dianteiros pra reboque, proteção inferior, suspensão elevada e mais robusta, 6 modos de condução com off-road dedicado, tomada de 110v na caçamba e de 12v na cabine, bem como detalhes exclusivos em laranja claro por dentro e por fora.
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| Motor EcoBoost recebeu mudanças técnicas pra ficar mais divertido. |
Nervosinho!
Debaixo do capô do Maverick Tremor encontra-se o bom e velho 2.0 EcoBoost que o brasileiro conhece de longa data, entregando até 253cv e 38,7kgfm de potência e torque máximos. Pra linha 2026, a Ford trabalhou no sistema de escape e no turbocompressor pra deixar ambos mais audíveis do lado de dentro da cabine, tornando a condução mais empolgante.
Resumidamente, o Maverick agora ronca mais alto e grave enquanto a turbina "assobia" de forma mais agressiva e perceptível, mas só quando você pisa mais fundo; durante a condução normal, o silêncio a bordo só é quebrado pelos pneus Goodyear Territory que são bastante ruidosos, especialmente em velocidades mais baixas. Na rodovia, contudo, pouco se ouve deles.
O desempenho continua animal como antes, colocando o Maverick como uma das picapes mais rápidas do Brasil - considerando todas elas. O câmbio de oito marchas trabalha em boa harmonia com o sistema de tração integral, pecando apenas no consumo: nossa média geral foi de 8,9km/l. Se andar mais na estrada, com pé leve, até dá pra passar dos 13km/l sem muito esforço.
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| Cabine mantém o acabamento em um discreto tom de azul escuro, pouco saturado. |
Agora sim, hein...
É seguro dizer que o tópico onde o Maverick mais evoluiu foi, sem dúvida, tecnologia embarcada. Desde a versão de entrada Black, a lista de recursos de série ganhou novidades bem-vindas como: teto solar elétrico, sensores dianteiros e traseiros de estacionamento, som Bang & Olufsen com oito alto-falantes, câmeras em 360º e os recursos ADAS do Co-Pilot 360.
Isso mesmo: desde a variante de entrada Black, de série, sem pacotes opcionais. Há ainda: banco do motorista com ajustes elétricos, painel de instrumentos 100% digital, multimídia SYNC 4 com tela de 13,2", ar de duas zonas, protetor de caçamba, capota marítima, carregador de smartphones por indução, 7 airbags, bancos em couro, chave presencial com partida remota e muito mais.
Não pense, entretanto, que foram só acertos. A Ford manteve a picape sem retrovisor fotocrômico e, apesar de ter adotado faróis mais sofisticados, não foi dessa vez que eles receberam ajuste de altura do facho (nem elétrico, muito menos automático), um pecado imperdoável em um veículo de carga. A versão Tremor tem particularidades que falaremos mais adiante.
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| São 5,07 metros de comprimento e 1,75m de altura. |
Pro asfalto e pra fora dele
Lembro quando vi o Maverick pela primeira vez nas fotos e achei ser uma picape grandalhona, mas não: é até, de certa forma, baixinha, o que não chega a ser um defeito. Quando, porém, testei pela primeira vez, lembro que me espantei negativamente com o fato de ele raspar tanto a dianteira quanto o meio em determinados obstáculos urbanos - meio-fio, quebra-mola e coisas assim.
Ou seja: pra ser tão off-road quanto a Ford fazia pensar, o Maverick precisava de alterações e elas vieram na forma da versão Tremor. Diferente do primeiro teste com a finada Lariat FX4, o novo Maverick Tremor enfrenta tudo o que se propõe sem reclamar ou apresentar dificuldade. Cheguei a fazer uma aventura mediana por terrenos irregulares e ele não negou fogo.
A Ford reservou algumas "surpresinhas" exclusivas para a variante Tremor como os paddle-shifters no volante e a tração 4WD com botões dedicados ao bloqueio do diferencial e ao 4x4 permanente - você pode deixar em 4x2 com acionamento do integral automático ou usar o 4x4 o tempo inteiro. Só não há reduzida, mas nem precisa: a proposta do Maverick não é subir paredes.
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| Interior também traz discretos detalhes em laranja claro, repetindo o exterior. |
O Maverick ainda é uma picape de pegada prioritariamente urbana - e eu ainda acho que seu apelo esportivo é maior do que o aventureiro. Tanto é que, lá fora, o modelo ganhou a versão Lobo de proposta bem mais "cool" e voltada puramente ao asfalto. Ainda assim, a Tremor é uma opção muito interessante aos que gostam de fugir da rotina de vez em quando.
A melhor parte é que o acerto dinâmico, um dos principais pontos fortes do Maverick, não se perdeu mesmo com as adaptações pra torná-lo melhor de barro. Ele ainda faz curvas como se elas não existissem, com pouquíssima rolagem de carroceria e muita segurança, dando a nítida impressão de que a plataforma comporta motorizações bem mais fortes. Isso é muito bom.
Os recursos ADAS funcionaram corretamente e não te obrigam a utilizá-los se não quiser - tudo que você desliga permanece desligado até que você decida religar, mesmo após sair do carro. O que me incomodou foi o novo marcador de combustível; demorei um bocado a entendê-lo e acho que a Ford deveria ter feito algo de leitura mais clara e óbvia.
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| Espaço interno é bom, sem sobras ou faltas. |
Beija ou dobra e passa pro próximo?
Hoje, o Maverick tem rivalidade direta com o Ram Rampage (mais caro) e indireta com o Fiat Toro (mais barato). As atualizações que a Ford fez deixaram a picape muito mais competitiva e equipada sem alterar seus antigos pontos fortes, ou seja: se você já tinha vontade de comprá-la antes, agora é a hora ideal. A tendência, claro, é que os preços subam. Estamos no Brézeu, lembra?
Em relação ao Rampage, o produto da Ram tem um acabamento mais refinado, com mais partes de toque macio, bem como a versatilidade da opção turbodiesel e maior capacidade de carga. Por outro lado, perde em todo o resto - dinâmica, espaço interno, pacote tecnológico, conforto, estilo e segurança. Não é muito diferente contra o Toro, exceto pelo acabamento.
Falando no bom e claro português, é como eu digo pros meus amigos: o Maverick é, atualmente, um dos poucos 0km que eu compraria sem reclamar de preço, porém não sei se iria diretamente na Tremor. A Black já me atenderia, mas acho sensacional poder cogitar uma Tremor 2026 com todas as melhorias e ainda pagando menos do que era uma Lariat FX4 em 2023.
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| Todas as rodas trazem um dos vãos em laranja, seguindo a temática Tremor. |
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| Comandos de ar-condicionado ficam permanentemente na parte inferior da tela do multimídia. |
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| Painel de instrumentos pode exibir diversas informações configuráveis por botões no volante. |
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| Assistente de reboque Pro Trailer e botões de funções diversas: auto hold, câmeras 360º e mais. |
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| Bancos trazem costura laranja e revestimento imitando granulado de terra. |
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| Caçamba tem luzes dedicadas e até abridor de garrafas (à esquerda). |
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| Compartimento abaixo do assento traseiro pode guardar coisas importantes. |































