Nissan Kait: um Kicks remodelado ou um carro completamente novo? Descubra no nosso teste

Nissan Kait é o antigo Kicks com novidades pra quem ainda não quer abandonar o SUV compacto japonês


Com a chegada da 2ª geração do Kicks, Nissan lançou o Kait pra quem ainda prefere o conceito do modelo antigo. Testamos por uma semana e mais de 600km.


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Nossa unidade veio na belíssima cor Azul Oceânico, disponível por R$2.000 à parte.

Sabe quando uma empresa, ao lançar uma nova versão ou geração de um produto, muda tanto a receita que quem gostava da antiga acaba sentindo falta? É o caso da Nissan com o Kicks, seu SUV compacto que completa 10 anos de mercado agora em 2026. A nova geração mudou por completo, o que significa que quem gostava da antiga ficou sem opção, certo?


Pra dizer a verdade, não. Por um curto período, o Kicks antigo (que é o best-seller da marca no país) foi rebatizado como Kicks Play e se manteve como um carro mais básico, mas a Nissan achou que ele merecia ir além. Foi assim que nasceu o Kait, o substituto do Kicks Play que muita gente achou que seria o micro-SUV Magnite e que é oferecido em seis configurações.


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Dianteira e traseira são totalmente novas. Laterais é que não foram mexidaas.

Eu já te vi em algum lugar...

Sendo bem direto ao ponto: o Kait nada mais é do que o antigo Kicks com outro visual, acrescido de melhorias aqui e ali. É fácil notar ao olharmos a coluna C (atrás da vigia traseira), pois a Nissan não mexeu nas laterais, apenas retirou o adesivo preto fosco que a adornava. Dianteira e traseira são novas e trazem, inclusive, iluminação inteiramente em LEDs pra todas as versões.


Algumas pessoas que viram o Kait somente por fotos disseram ter achado-o menor do que o Kicks. Isso se deve a algumas características do design como os finos faróis próximos ao limite superior vertical da dianteira, bem como as lanternas mais baixas em relação às antigas e o nome KAIT escrito em grandes letras soltas. As medidas, contudo, são basicamente as mesmas.


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Motor HR16DE segue o mesmo de sempre.

A plataforma V também é a mesma do antigo Kicks, tal qual seu conjunto motriz que é composto pelo conhecido motor 1.6 aspirado flex, de quatro cilindros, capaz de gerar até 113cv e 15,5kgfm quando abastecido com etanol, aliado ao câmbio automático CVT que a montadora chama de XTRONIC. A única mudança é o eixo traseiro, novo e mais resistente.


Como a nova geração do Kicks ganhou motor turbo e transmissão DCT (mesmo conjunto do Renault Kardian), a permanência do bloco aspirado com a caixa CVT fez total sentido no Kait, pois a dupla sempre foi um dos principais argumentos de venda do antigo Kicks por conferir uma condução pacata, confortável e econômica. Nossa média foi a mesma de outros testes com o "antecessor".


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Cabine foi redesenhada, mas sem alterar a disposição dos elementos.

Beleza interior

Por dentro, o Kait não traz nenhuma melhoria tátil de acabamento em relação ao seu antecessor, porém recebeu novos elementos que deixaram a cabine com um aspecto bem mais moderno. Painel, tabeliê e forros de porta foram retocados, mas as superfícies continuam inteiramente em plástico rígido. Pelo menos há duas novas portas USB tipo C pra quem vai atrás.


As variantes mais completas, como a nossa Advance Plus, agora trazem cluster de instrumentos 100% digital dividido em duas telas: uma maior com mais funções e outra menor que atua como velocímetro, hodômetro e marcador de combustível. A central multimídia também muda: é a mesma de sempre com 8 polegadas nas versões mais baratas e uma Pioneer de 9" nas mais caras.


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Bancos são em tecido pra quase todas as versões; só a top traz couro.

A gama de configurações começa na Active por R$117.990. Em seguida vem a Sense por R$136.990 e a Sense Plus por R$139.590; depois se encontra a Advance por R$146.990, a Advance Plus (nossa avaliada) por R$149.890 e, por fim, a topo-de-linha Exclusive por R$152.990*. Todas trazem o mesmíssimo conjunto mecânico, sem opção de câmbio manual ou motor eletrificado.


Todas contam com faróis Full LED com ajuste elétrico de altura, rodas aro 17, 6 airbags, central multimídia, chave presencial com partida por botão, volante multifunção com ajustes de altura e profundidade, entre outras. Nossa Advance Plus se diferencia pelo design das rodas (também aro 17, mas com outro desenho), painel digital, multimídia Pioneer, recursos ADAS, entre outros.


*valores segundo a tabela de mar/26


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São duas telas diferentes, separadas. A da esquerda é configurável por botões no volante.

O novo velho Kicks

Rodamos mais de 600km ao longo do período com o Kait e, como já imaginávamos, é o antigo Kicks de sempre - o que não é de todo ruim. Serenidade é a palavra de ordem ao volante do SUV japonês; o bom isolamento acústico deixa a vida a bordo bastante silenciosa, tanto sobre os ruídos da rua quanto os do motor. O CVT garante uma condução absolutamente morosa.


O novo eixo traseiro melhorou o comportamento geral, deixando o Kait mais confortável e estável do que o antigo Kicks. Falando em conforto, os bancos continuam bons como sempre, porém os da frente aparentam estar mais baixos, o que incomoda; o do motorista possui a regulagem de altura que permite compensar isso, mas o passageiro precisará andar um tanto "afundado".


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Multimídia Pioneer traz tela de 9 polegadas e nenhum botão físico, apenas tipo touch.

O novo painel de instrumentos funciona bem, contudo o aspecto é ruim; as duas telas separadas e visivelmente diferentes dão um ar de adaptação feita em cima da hora, assim como a central multimídia Pioneer que parece ter sido instalada em uma loja de acessórios qualquer. A interface genuína dos últimos Nissan estrangeiros (e também do novo Kicks) cairia bem melhor.


Os novos faróis são melhores do que os antigos e há uma ótima novidade: finalmente é possível abrir e fechar as janelas remotamente ao segurar os botões da chave presencial, recurso extremamente útil quando o carro fica estacionado sob o sol direto. Infelizmente, por outro lado, quem vai atrás continua sem luzes de cortesia ou saídas dedicadas de ar condicionado.


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As rodas sempre são de 17 polegadas, mas as versões mais caras trazem o modelo chamado de "Blades".

"Beleza, Ravito. O que vou ganhar ao trocar meu antigo Kicks por um Kait?"

Além do visual, caso opte por um Kait Exclusive, ganhará recursos como piloto automático adaptativo (ACC) e alguns ADAS básicos como alerta de mudança indevida de faixa, de atenção do motorista e de tráfego cruzado traseiro, bem como um interior redesenhado e (na nossa opinião) mais moderno. Em contrapartida, não terá o som Bose com alto-falantes no encosto de cabeça.


Vale lembrar que esses recursos ADAS são somente alertas, sem interferir na condução de fato. Também terá o novo eixo traseiro que melhorou o conforto e é isso. No mais, é o velho Kicks que você já conhece e gosta - ou não. Se vale a pena, como a gente sempre diz, depende exclusivamente de você; particularmente acho melhor que um Honda WR-V.