Novo Chevrolet Sonic chega com nariz de palhaço e escancara decadência da marca

Opinião: novo Chevrolet Sonic reforça, mais uma vez, o desprezo da montadora pelo mercado brasileiro


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Novidade chegou em duas versões. Foto: Divulgação

Chevrolet... Uma das famosas "quatro grandes" do mercado brasileiro. Com mais de 100 anos de existência, é conhecida entre os veteranos por modelos icônicos como Opala, Monza, Omega, entre vários outros. Já foi, para muitos, a dona do melhor portfólio nacional, oferecendo carros minimamente alinhados com outras partes do mundo e enchendo os olhos de todos.


Mas isso, infelizmente, é coisa do passado. Na segunda metade dos anos 2000, a Chevrolet descobriu que não precisava vender produtos de qualidade global por aqui, pois podia fazer muito dinheiro com projetos inferiores, adaptando-os ao gosto local com badulaques e subterfúgios pra tentar fisgar o público menos informado. O pior é que a tática deu certo e ela se viciou nisso.


Hoje, dia 07 de maio de 2026, vimos mais um triste capítulo da "nova Chevrolet" com o lançamento do novo Sonic, um micro-SUV baseado no Onix que fica abaixo do Tracker e promete ser o novo queridinho da empresa no Brasil, rivalizando com nomes como Fiat Pulse, Renault Kardian e VW Tera. Até aqui, nenhum problema grave, certo? Bem... Não exatamente.


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Além da versão RS na outra foto, de entrada, há a topo-de-linha Premier. Foto: Divulgação

"Sonic? Esse nome não me é estranho..."

Se você pensou isso, saiba que está absolutamente certo. Sonic foi o nome de outro carro que a Chevrolet tentou vender por aqui em 2012, mas só durou dois anos e foi um absoluto fracasso por diversos fatores. Pois é: a marca pegou o nome de um produto falido pra colocar no seu "lançamento mais importante do ano". Economia pra não ter que registrar um nome novo? Parece que sim.


Continuando, o novo Sonic nada mais é do que um Onix que pegou as roupas do irmão mais velho e ficou com as pernas finas de fora da bermuda larga. Os rivais fazem parecido, PORÉM trazem um pouco de personalidade própria pra se distanciarem. O Sonic, não: você vê o Onix todinho nas laterais e colunas C, mas com uma dianteira à la Tracker enxertada no conjunto.


O marketing também é ruim, pois força a barra no "SUV-cupê", apesar de não trazer nada que remeta a um - lembre-se dos VW Nivus e Fiat Fastback que mostram boa vontade nisso. O teto segue alto a partir das colunas B exatamente como no Onix, finalizando em um aerofólio mais pronunciado (esse sim, bonito) e lanternas que parecem uma salsicha sendo apertada no meio.


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Foto: Divulgação

"Problemas? Só na sua cabeça!"

Mecanicamente falando, o Sonic traz o famoso 1.0 turbo flex que sofre de problemas por conta da correia banhada a óleo; problemas que, segundo a empresa, fazem parte de uma "teoria da conspiração" alimentada por bots na internet. Não é brincadeira: a marca afirmou isso publicamente. É verdade que bots existem e são irritantes, mas só a Chevrolet é a atacada? Que coisa, não?


Ainda segundo ela, apenas 3% dos comentários seriam de pessoas reais, o que estaria dentro do normal. O que me incomoda nessa história toda é que nunca vi outra montadora reclamar da mesma coisa - e o que mais existe é montadora por aí. Volto a questionar: só a Chevrolet é atingida por bots? Nunca vi a Volkswagen alegar que as queixas sobre os interiores de plástico seriam bots.


Voltando ao motor, trata-se de um dos 1.0 turbo mais fracos do mercado, entregando potência e torque máximos inferiores aos blocos da concorrência; pra compensar, o Sonic pesa apenas 1.139kg e isso é bom, mas não muda o fato anterior. Apesar de ter "cozinhado" tanto antes do lançamento, nenhuma novidade foi introduzida nesse aspecto. 1.2 turbo? Que nada.


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Foto: Divulgação

Por dentro, mais recortes do que uma colcha de retalhos e mais-do-que-cafonas detalhes vermelhos nas partes mais visíveis possíveis. É nítida a tentativa de disfarçar a pobreza do acabamento com peças repletas de vincos que deixam a cabine com ar de "nossa, que top". Você também pode equipá-lo com fitas de LED com todo o ar de acessório instalado em fundo de quintal.


Em suma: mais uma vez, a Chevrolet mostra seu desprezo pelo consumidor brasileiro, lançando um produto que ela não ousaria tentar comercializar fora do nosso país, pois sabe que não venderia - somente, talvez, em um mercado tão precário de entendimento quanto o nosso. Ela já fez isso com modelos como Celta, Cobalt, Spin e Onix, entre outros tão medíocres quanto.


Sabe o que é pior? Fatalmente ele venderá mais do que o Kardian, um dos melhores dentre os micro-SUVs de hoje, pois a estratégia de marketing de 99,9% das empresas atualmente consiste em ceder seus produtos a influencers sem qualquer conhecimento ou profundidade que os entopem de elogios genéricos e fazem propaganda barata, rasa. Que fase, hein...


Daquela Chevrolet que fabricou o meu Monza GLS em 1995, ao que tudo indica, só restou o nome.