Leapmotor C10 REEV é o elétrico pra quem tem medo de elétricos; veja o teste

Leapmotor C10 híbrido é um elétrico com extensor de autonomia pra acabar com a ansiedade de alcance


Versão híbrida do SUV chinês promete quase 1.000km de autonomia total e é diferente de outros híbridos vendidos no Brasil. Rodamos mais de 700km.


leapmotor-c10-hibrido
Assim como no elétrico, todas as cores no C10 híbrido são oferecidas sem custo. A do nosso modelo se chama Verde Boreal.

Você é daqueles que queria ter um carro elétrico, mas sente medos diversos como não conseguir carregá-lo adequadamente ou ficar sem energia no meio de uma viagem? Então você faz parte do time das pessoas que sentem "ansiedade de alcance", do inglês "range anxiety", que é o receio de ficar sem bateria no meio do caminho. Ainda é um medo muito comum no público.


É justamente por isso que, apesar do forte crescimento dos 100% elétricos no Brasil, os híbridos ainda têm sido os prediletos pros que querem eletrificar a garagem. Entre os híbridos leves, híbridos plenos e plug-ins, nossa avaliação da vez é com um tipo diferente de híbrido: um REEV. Ele veio na forma do Leapmotor C10 que já testamos como elétrico e agora, como híbrido. Confira!


teste-leapmotor-c10-hibrido
O visual do C10 híbrido é o mesmo do elétrico.

REEV? Que raios significa isso?

REEV é a sigla de Range-Extended Electric Vehicle, ou "veículo elétrico com autonomia estendida" em bom português. Um híbrido REEV é muito parecido com um híbrido plug-in (PHEV), equipado com um motor elétrico e uma bateria de grande capacidade que trabalham juntos de um motor convencional, a combustão e movido somente a gasolina ou flex. Até aqui, tudo bem.


A grande diferença do REEV pro PHEV é que o motor a combustão atua somente como gerador de energia, não tendo qualquer conexão com as rodas, o que o torna incapaz de influenciar no desempenho do veículo. É uma arquitetura parecida com a do finado BMW i3 REx, mas com atributos bem mais robustos no C10 que a Leapmotor comercializa no mercado brasileiro.


teste-leapmotor-c10-reev
Debaixo do capô do C10 BEV se encontra um "frunk". Já no híbrido, quem aparece é o motor a combustão.

Força direcionada

O C10 REEV traz o mesmo motor elétrico do C10 BEV, montado no eixo traseiro, capaz de gerar até 215cv e 32,6kgfm de potência e torque máximos - números discretamente diferentes em relação ao irmão. O que muda aqui é a bateria menor, de 28,4kWh, e a presença do motor 1.5 a gasolina, aspirado e de quatro cilindros, que entrega até 88cv e 12,7kgfm.


Mesmo motor, mesma performance, mas as semelhanças acabam aqui. Enquanto o C10 BEV beira os 400km de autonomia na vida real, o C10 REEV promete até 970km segundo a marca, contando com o tanque de 50 litros de gasolina. Andando apenas com energia, nossa estimativa foi de 120km de autonomia, mas a conta pode variar bastante quando o motor a gasolina entra em ação.


Acabamento do híbrido pode vir em dois tons, mas o do "nosso" carro veio no padrão.

Sabor premium

A lista de equipamentos do C10 REEV é a mesma do C10 BEV, então não vamos repetir porque já dá pra se ter uma ideia dos principais recursos pela avaliação do primeiro C10 - o link tá ali em cima e repetido aqui. A diferença do híbrido é que ele pode receber acabamento interno parcialmente em caramelo, mas apenas com as cores Cinza Noturno, Preto Eclipse e Branco Alvorada.


O que é interessante de se ressaltar é o fato de que o nível de equipamentos do C10 é muito bom, assim como o acabamento que se sobressai dentre os demais SUVs de sua faixa de preço, principalmente contra os das montadoras tradicionais. Tem, é claro, seus deslizes como a falta de sensores dianteiros de estacionamento e de retrovisor fotocrômico, mas ainda é bom.


teste-c10-reev
Rodas aro 20 calçam pneus 245/45 R20. Todas as luzes são em LED.

É ultra mesmo ou é só marketing?

A Leapmotor chama o C10 REEV de "ultra-híbrido" por causa da promessa de quase 1.000km de autonomia, combinando a bateria e o tanque cheios, porém a gente sabe como as empresas são na hora de venderem seus peixes, né? Por isso que os testes práticos como os que fazemos são tão importantes e, nesse caso, rodamos mais em estrada do que em ruas urbanas.


Com tudo cheio, o C10 promete pouco mais de 800km de autonomia com gasolina e 140km com a energia elétrica - ele exibe ambos separados e a soma ao lado, tudo no painel, o que é bom. São 4 modos de condução, sendo dois que priorizam a eletricidade e dois que favorecem a gasolina, mas lembre-se de que o motor a combustão é apenas um gerador de energia, nada mais.


leapmotor-c10-reev
C10 traz linhas suaves e discretas por todos os lados.

Como em todo veículo eletrificado, a prioridade de partida e uso é sempre com a energia elétrica; ele sempre ligará no modo EV+ e na condução Esportiva, dotada da maior regeneração de energia. Enquanto houver carga suficiente, o C10 será utilizado puramente como qualquer outro elétrico, com silêncio absoluto e mantendo o motor a combustão desligado pra poupar gasolina.


O modo EV+ é o que explora a bateria até quase esgotá-la, enquanto o EV a utiliza até chegar em 25%. O modo Combustível mantém a bateria no nível definido pelo condutor, ou seja: se definir em 40%, o gerador será acionado assim que ela chegar nessa carga e será desligado quando passar. Por último, o Power+ mantém o gerador ligado o tempo inteiro até você trocar de modo.


Como você já deve ter imaginado, a dinâmica de escolha deles impacta diretamente na autonomia e vai depender das circunstâncias de seu uso. Os EV+ e EV são ótimos pra uso urbano e/ou pra quem tem facilidade de recarga, seja na rua ou em casa; os Combustível e Power+, por outro lado, são recomendados pra viagens e garantem as maiores possibilidades de autonomia.


Todos eles, no entanto, influenciam somente a autonomia e o custo da viagem, pois o comportamento do C10 REEV é sempre o mesmo, uma vez que o motor a combustão é apenas um gerador de energia - e estamos dizendo isso pela 3ª vez pra não deixar dúvidas. Esteja o motor 1.5 ligado ou desligado, a performance do SUV não será alterada.


volta-rapida-leapmotor-c10
Espaço interno é excelente pra cinco adultos. Teto panorâmico possui cortina retrátil eletronicamente.

Aproveitamos um bate-e-volta de 270km entre cidades pra ver, na prática, como o conjunto se comporta. Rodando no modo EV, o C10 percorreu cerca de 80km somente na energia e uma direção despreocupada com economia, mantendo um ritmo mais rápido; chegando aos 25%, o motor a combustão foi ligado automaticamente e se fez bastante audível na cabine.


Isso significa que os 190km restantes foram feitos com o carro gerenciando o uso de combustível e energia sozinho, sem interferência do condutor. De fato, o motor tenta manter a energia elétrica em um nível mínimo de 25%, ligando o motor quando a demanda de energia aumenta e desligando quando diminui, mostrando que o modo EV também pode ser usado em viagens.


O ideal pra se obter a maior autonomia possível é, como sempre, aliviar o pé no acelerador; quanto mais você pisa, maior é o consumo e mais o motor-gerador funciona, gastando mais combustível. Andando leve, ele não só consegue manter o nível da bateria como pode até carregá-la, de fato. Trocando em miúdos: os quase 1.000km de autonomia até são possíveis, mas exigem calma.


Assim que o gerador foi ligado, o computador de bordo estimava cerca de 760km de autonomia somente com gasolina. Após os 190km, a estimativa caiu pra 530, mostrando que as informações podem ser um tanto otimistas demais. De todo modo, caso a situação aperte, é só parar em qualquer posto e colocar gasolina pra seguir viagem até poder recarregá-lo.


yuri-ravitz-leapmotor-c10
"Nosso" C10 REEV veio na mesma configuração do BEV que testamos há alguns meses.

Elétrico ou híbrido? Qual levar?

Opinião pessoal do Ravito: gostei mais do BEV, puramente elétrico, e ele seria a minha escolha, mas gosto da possibilidade de optar pelo REEV e entendo os porquês de ele ser o preferido do público. Ele é, inegavelmente, mais versátil e mais indicado pra quem não tem tanta facilidade de acesso a pontos de recarga, além de realizar viagens longas com mais conforto.


Caso tenha onde carregá-lo, então poderá usá-lo somente como um EV padrão e deixar a gasolina por semanas ou até meses intacta, caso queira - e o tanque de 50 litros é pressurizado pra evitar que ela evapore. Por R$219.990 pela tabela atual (mai/26), ele custa 15 mil reais a mais do que o C10 BEV, dinheiro que se paga pela versatilidade extra da hibridização.


Oferecendo um dos melhores espaços do segmento, uma lista satisfatória de equipamentos, a alta versatilidade e um preço agressivo, o C10 REEV é um SUV médio-grande que tem tudo pra incomodar os rivais a combustão e, ainda por cima, anula as preocupações de se ter um elétrico, marcando o que o público chama de "transição perfeita" dos ICE pros EV.


É verdade que algumas coisas ainda são bem irritantes, a exemplo do minimalismo excessivo que concentra tudo na tela do multimídia e a chave-cartão nada prática, porém é possível conviver com isso e se acostumar. Esses pontos servem, inclusive, de guia pra futuras melhorias no C10 que incluem a flexibilização do motor a gasolina, um ponto importante em particular no Brasil.