Fiat Toro 2026 é o ápice da picape italiana; testamos a topo-de-linha Ranch

Fiat Toro 2026 é o auge do utilitário que mudou a história da marca no Brasil





Segunda reestilização da picape italiana consolida o novo motor TD450 e traz atualizações estéticas por todos os lados. Testamos por uma semana e mais de 600km.

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A belíssima cor Azul Jazz custa R$2.490 à parte.

Tá pronto pra se sentir velho(a)? Então saca só: faz dez anos que a Fiat lançou o Toro! Pois é: a picape de porte intermediário que sacudiu o mercado brasileiro nasceu em 2016 e comemorou, em julho passado, o marco de 600 mil unidades fabricadas. Pra 2026, ela chega com sua maior reestilização até hoje e fôlego de sobra pra seguir cativando o público.


Seguindo nossa temporada turbinada de avaliações, a Stellantis cedeu um exemplar do Toro 2026 na versão Ranch, a mais cara da linha, com a qual rodamos por mais de 600km ao longo de uma semana. Nascida em 2018 como ano/modelo 2019, a variante Ranch é a topo-de-linha e traz tudo de melhor que um Toro pode receber atualmente. Quer saber como foi? Então bora!


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Ranch traz santo-antônio e base para racks de teto de série, bem como a capota marítima.

O que mudou?

As alterações mais expressivas estão na parte externa. A dianteira ganhou um novo para-choque com molduras em preto fosco por diversos lugares, grade redesenhada com filetes verticais e novos segmentos de LED filetados para as luzes diurnas, de posição e de seta conjugadas no mesmo elemento. As rodas também são novas em todas as configurações.


Na traseira, pela primeira vez, a Fiat também trouxe novidades ao Toro na forma de um para-choque totalmente novo e inéditas lanternas inteiramente em LED com design mais retilíneo. Por dentro, a novidade mais perceptível é o novo grafismo do painel de instrumentos e a mudança de revestimentos de acordo com a versão. A gama de variantes também mudou.


O Toro 2026 começa com a versão Endurance por R$163.990, seguindo pra Freedom por R$173.990, a Volcano por R$190.990 e a Ultra por R$200.990 - todas equipadas com o motor 1.3 "Turbo 270", câmbio automático de seis marchas e tração 4x2. Na sequência temos a Volcano a diesel por R$215.990 e, na ponta, a nossa avaliada Ranch por R$233.990.


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Motor 2.2 cabe justo no cofre do Toro.

O maioral

O Toro já deve diferentes conjuntos mecânicos ao longo dos anos. Começou com os finados 1.8 aspirado flex da família E.torQ e 2.0 turbinado a diesel, disponíveis tanto com câmbio manual quanto automático e tração somente dianteira (flex) ou integral seletiva (diesel). Depois veio o 2.4 Tigershark e, no primeiro facelift, o então estreante 1.3 turbo que dura até hoje.


Nossa avaliada Ranch, por outro lado, traz o aguardado bloco que estreou no Ram Rampage ano passado e que também se estendeu ao Titano 2026; um 2.2 turbinado a diesel, aqui chamado de TD450, que gera até 200cv e 45,9kgfm, aliado a uma caixa automática de nove marchas e um sistema de tração 4WD, integral seletiva com opção de reduzida.


Esse é o motor mais forte da história do Toro, conferindo desempenho de ponta e consumo surpreendente: nossa média geral ao fim do teste foi de 17,6km/l, número que supera uma infinidade de modelos menores e mais leves já testados por nós e que mostra a eficiência energética do conjunto. Nessa versão, o Toro pesa 1.945kg.


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Na cabine, revestimento em marrom fechado e pouco saturado deixa o ambiente elegante.

Cadê?

Até agora foram só elogios, mas nem só de "gostamos" vive o Toro 2026. A picape também comete seus deslizes que até são perdoáveis nas derivações mais baratas, mas não na topo-de-gama e sua etiqueta que passa dos 230 mil reais. Sentimos falta do monitor de pontos cegos (que até o Fastback já pode ter) e do teto solar que parece sofrer de Efeito Mandela, mas já existiu.


Há cluster de instrumentos 100% digital, iluminação totalmente por LEDs, multimídia vertical com espelhamento sem fio, ar dual zone, sensores dianteiros e traseiros de estacionamento, câmera de ré, banco do motorista com ajustes elétricos, alguns recursos ADAS básicos e acessórios essenciais em picapes como protetor de caçamba e capota marítima. Ruim, de fato, não é.


Mas dá pra sentir falta de mais coisas. A Ranch deveria ter recebido o acabamento marrom mais caprichado também nas portas traseiras, além de saídas de ar condicionado pra quem vai na segunda fila e ajuste elétrico de altura dos faróis. O pacote ADAS, por fim, deveria contar com piloto automático adaptativo, uma antiga demanda dos proprietários.


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Emblema TD450, de 450 Newton-metro de torque, aparece nas portas dianteiras do Toro 2026.

Um é pouco. Dois é bom. Três é ainda melhor

Sete dias e mais de 600 quilômetros marcaram nosso terceiro contato com o novo motor 2.2 turbodiesel da Stellantis. Já rasgamos elogios pra ele nos testes anteriores (do Rampage e do Titano que você pode acessar pelos links nos parágrafos acima) e aqui não vai ser diferente. O antigo 2.0 a diesel já era bom no Toro, mas o novo é simplesmente excelente.


Há fartura de torque desde os 1.500 giros e os 200cv de potência máxima aparecem a 3.500rpm, perto do começo da redline (que é aos 4 mil rpm). No mais, o "castanhado" característico dos motores a diesel e a elasticidade do bloco, bem como seu alto nível de consumo de combustível, fazem dele o melhor motor de todos os que já equiparam a picape italiana.


Quem não acompanha com a mesma maestria é a transmissão. É a mesma caixa de nove marchas de sempre, porém não é raro ela segurar as trocas sem necessidade, fazendo o giro subir à toa e deixando o carro deveras "amarrado". O kickdown também é lento, mas isso pode ser contornado pelos paddle-shifters ou as trocas na própria alavanca.


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Painel de instrumentos mantém a tela de 7 polegadas, mas ganhou novos grafismos mais modernos.

Já o rodar geral continua, como de costume, muito bom. O Toro passa pelos obstáculos costumeiros do asfalto brasileiro (buracos, desníveis e etc.) com muita decência graças aos pneus "carnudos" de medidas 225/60 R18 e ao bom acerto da suspensão. Só não é tão amigável em curvas; a inclinação da carroceria é bem perceptível e instiga redução da velocidade.


A central multimídia vertical, que foi alvo de críticas por conta de instabilidade e bugs no começo, já foi acertada e funciona sem defeitos. Até o isolamento da capota marítima parece ter melhorado, embora ainda não seja o ideal; pegamos dias de chuva e a quantidade de água dentro da caçamba era bem pouca, tal qual o cheiro de úmido. Era bem pior no começo, acredite.


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Multimídia com tela vertical não aboliu os controles físicos de rádio e ar condicionado. Ainda bem!

Papo reto

Vamos ser diretos? Vamos. O grande lance do Toro 2026 é: se você já teve algum dos modelos anteriores e gostou, esse vai lhe agradar ainda mais. Se, por outro lado, você ficou na dúvida entre os rivais que existem hoje, é bom olhar com calma porque a concorrência, apesar de não ser tão vasta, é forte e pode te convencer a ir nela.


O Toro Ranch, pelo que custa, bate de frente com o Ford Maverick nas versões Hybrid e Tremor por apenas 6 mil reais de diferença. Contra o Ram Rampage, a rivalidade mais próxima é com a versão Big Horn que custa 5 mil reais a menos; a diferença pra Rebel salta pra 25 mil reais. Vale lembrar que o 2.0 Hurricane tornou-se exclusividade da variante R/T.


Prefira a motorização a diesel se pensa em ficar com o carro por mais tempo ou se pretende usar a tração 4x4; se não for o caso, as versões com motor T270 irão lhe atender. A diferença de preço é grande, mas a de conteúdo não é tão expressiva assim e a usabilidade do carro não sofre alterações drásticas. O desempenho e o consumo do 1.3 turbo são satisfatórios.


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Nova grade divide opiniões. Filetes podem ser pretos ou cromados, de acordo com a versão.

Em relação ao Toro, o Rampage traz um acabamento interno mais caprichado e algumas sofisticações a mais como saídas traseiras de ar-condicionado e faróis por projetores com ajuste de altura, por exemplo; em contrapartida, o irmão mais nobre não traz os recursos ADAS e mimos como ajustes elétricos para o banco do motorista ou retrovisor fotocrômico.


Já contra o Ford Maverick, o caldo engrossa com força. Desde a versão de entrada Black por R$219.990, a picape americana traz teto solar, som assinado pela Bang & Olufsen, recursos ADAS (incluindo ACC), mais espaço interno e um acerto dinâmico digno de modelos de performance. O que joga contra é a rede autorizada que diminuiu com a mudança de estratégia.


No final das contas, como a gente sempre diz, vale o que te atende melhor. Se for versatilidade, vá de Toro. Se quer sentir um gostinho suave do mercado premium, o Rampage é o seu negócio. Se, por outro lado, quer um belo e recheado brinquedo pelo preço, fecha com o Maverick. Mas uma coisa é certa: o Toro 2026 é o melhor da história do modelo. De longe.


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